Até pouco tempo atrás, o Microsoft Office era sinônimo de suíte para escritório. Os formatos (*.doc, *.xls, *.ppt...) se tornaram padrão no mercado, e o monopólio crescia mais e mais. Não haveria problemas com isso, não fosse o fato do Office da Microsoft ser muito caro, tornando-se um produto inacessível à maioria das pessoas.
De uns tempos para cá, coisa de um ano e meio, começaram a pipocar por todos os lados diversas alternativas gratuitas e que mantinham compatibilidade com os já padrões formatos da Microsoft, apesar deste recurso ser péssimo em algumas suítes - e bons em outras, vale ressaltar. Essas alternativas tiveram uma maior força inicialmente no Linux, se estendendo rapidamente ao Windows. De todas elas, para ambos os sistemas operacionais, a que mais se destacou e que é hoje o principal concorrente ao monopólio da Microsoft, é o OpenOffice.org, uma suíte bem feita, rápida, funcional e cheia de recursos.
O OpenOffice.org surgiu de forma bem curiosa, como pode ser visto neste pequeno trecho a seguir, extraído da revista PC Master, edição 62, página 30:
"O mecanismo principal deste pacote office é o mesmo usado no StarOffice. A Sun, pouco tempo depois de ter adquirido e transformado em um software gratuito o StarOffice, também abriu o código-fonte do mecanismo principal do software para a comunidade de desenvolvedores. A partir de então, este projeto foi chamado de OpenOffice..."
Mas vejamos a realidade brasileira atualmente. Todos sabem que por R$ 10,00 (ou até menos) é possível conseguir uma cópia pirata de qualquer versão do Office da Microsoft, até mesmo da novíssima 2003. Dessa maneira, qual a vantagem em usar o OpenOffice.org? São muitas. Para começar, você não estará usando um software pirata. Outra coisa interessante é estar ajudando a acabar com o monopólio da Microsoft, o que poderá futuramente forçá-la a praticar preços mais baixos e continuar a melhorar seu produto; enfim, gerando concorrência. Além de, claro, todas as qualidades que o programa oferece, e que serão descritas no decorrer desta matéria. WinAjuda testou a versão 1.1 RC4 do OpenOffice.org, em português do Brasil. As opiniões contidas nesta matéria são de uma pessoa que usou por toda a vida as suítes da Microsoft, algo comum entre usuários Windows.
À primeira vista, o OpenOffice.org assusta um pouco. Diferentemente do Microsoft Office, esta é uma suíte integrada. Ou seja, todos os aplicativos utilizam a mesma interface. Explicando de uma maneira mais didática, é possível, por exemplo, você abrir a planilha de cálculos a partir do editor de textos. Na prática fica mais fácil entender o mecanismo, que tem prós e contras. A vantagem é a agilidade, visto que todos os programas utilizam a mesma interface, o que economiza cliques e ícones. A desvantagem é que o programa em si demora um pouco para carregar e fica mais pesado, isso porque, se você for utilizar o editor de textos, mesmo que você não use os outros aplicativos eles serão carregados. Pode se tornar uma vantagem para quem usa todos os programas em conjunto, coisa meio rara entre usuários domésticos...
Outra coisa que o usuário pode vir a estranhar é a interface. Ao contrário do Microsoft Office, que foca boa parte das atenções no visual, aqui no OpenOffice ele é bem precário. Mas isto não muda em nada o trabalho, é apenas uma questão de estética, e acostuma-se com o tempo.
Uma barra na lateral esquerda possui diversos ícones e ajuda muito. Pode ser customizada ao gosto do usuário, basta clicar com o botão direito nela, e entrar em Personalizar. Configurando-a ao seu gosto, ela ganhará mais eficácia e aumentará sua produtividade.
Um grande destaque do OpenOffice é o conversor PDF. Com ele, é possível exportar arquivos para o formato *.pdf com uma qualidade incrível, superior a qualquer outro programa do gênero (exceto a do Adobe Acrobat, lógico). Muito bom este recurso.
A correção ortográfica do Microsoft Office é um recurso muito bem feito e útil. No OpenOffice, devo confessar que o dicionário é bem fraco. Todavia, é possível ir adicionando novas palavras. Uma coisa legal é o recurso auto-completar, que aparece enquanto se digita o texto. É similar ao método de escrita T9 dos celulares: você vai escrevendo a palavra e o programa vai mostrando uma sugestão que tenha os caracteres digitados até o momento. Caso a palavra que você esteja querendo escrever seja essa, basta um Enter que ela se completará. Muito útil em palavras grandes, como "OpenOffice"! E o melhor é que o programa é inteligente, e vai se adaptando ao acervo lexical do usuário.
O suporte à criação de páginas para web é fraco. Simples, a única coisa que o difere do Bloco de Notas é uma singela galeria de imagens. Por falar em imagens, o tratamento delas no Write (editor de textos) é super fácil, mais até do que no Word. Basta adicionar a imagem (menu Inserir, Figura, Do arquivo...) e movê-la livremente pela tela.
Outro ponto que se destaca no OpenOffice.org é o manuseio de tabelas, facilitado pelos diversos botões de atalho na barra de ferramentas.
Vamos a parte que, se não é a mais importante, é uma das mais: a compatibilidade com documentos do Microsoft Office. Testei diversos arquivos *.doc e *.xls, e o nível de fidelidade é impressionante! Se esse era seu único receio em mudar para o OpenOffice.org, ele não existe mais!
Conclusão: muito bom, e tem tudo para melhorar ainda mais. Para usuários domésticos, a troca do Office da Microsoft pelo OpenOffice.org é vantajosa, pelas qualidades deste, a compatibilidade dos documentos daquele ser muito boa, e, claro, o fato do OpenOffice.org ser gratuito.
Quem escreveu?
Rodrigo P. Ghedin. Paranaense, 22 anos, bacharel em Direito e aficionado por informática. Windows-user desde 1996. Powered by "PC frank" (7 Ultimate) e Dell Vostro 1000 (XP Home).
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