E eis que o Windows Vista está prestes a ser lançado. Após anos de desenvolvimento, mudanças drásticas no cronograma, atrasos, adiamentos, cancelamentos de novos recursos (aliás, dos principais novos recursos), agora a coisa parece que vai, e se a Microsoft não cometer a mancada de adiar novamente o lançamento do sistema, no começo do ano que vem teremos a versão final disponível.

Preparativos

A última análise feita por mim foi da versão Beta 1, que foi lançado a mais de um ano. De lá para cá, muita coisa mudou. O Vista está mais bonito, mais estável, já tem uma identidade e já pode ser considerado um sistema viável comercialmente. Outra mudança, esta particular, é a máquina usada nos testes. A configuração do PC é, no Vista, um dos aspectos mais importantes a ser analisado. A configuração do PC é a seguinte:

  • AMD Athlon64 3000+ (1,8 GHz);
  • 1 GB de memória DDR 400;
  • VGA GeForce 6800GS 256 MB;
  • HD IDE Samsung 40 GB;
  • Gravador de DVDs Pionner DVR-110D.

O HD é um que estava dando sopa num PC antigo aqui em casa. Em todo caso, apesar de ser PATA e coisa e tal, a performance dele é boa. Olha o estrago que esta brincadeira causou na minha sala:

Estado do meu PC.

A versão testada foi a RC2 (build 5744), x86 (32 bits).

Instalação

Gravei a imagem, de 2,5 GB, num DVD. Dei boot por ele, e a instalação começou. Simples, rápida e objetiva: é o melhor resumo dela. Todas as perguntas e configurações foram concentradas nesta primeira etapa, e não há trivialidades. O instalador apenas recolhe informações estritamente necessárias para que o sistema seja instalado, como CD-Key (imagem) e particionamento do disco (imagem).

(Nesta parte inicial, as imagens não têm uma boa qualidade porque foram tiradas com uma câmera digital. Depois que a parte de instalação passa, aí tirei screenshots, e as imagens ficaram bem melhores.)

Após essa coleta de informações, a instalação propriamente dita começa (imagem). Neste PC, ela demorou exatos 17 minutos, havendo, durante o processo, dois reboots.

Na primeira vez que o Windows é iniciado, uma espécie de wizard surge. Coisas como plano de fundo, conta de usuário e data e horário são pedidos. Ao término (imagem), o Windows agradece, e a verificação da performance do PC é iniciada (imagem). O mais engraçado é que, durante esta análise, aquelas velhas e repetitivas frases que surgiam durante a instalação do Windows em versões anteriores, com bordões do tipo “nunca foi tão fácil”, ou “melhor do que nunca” (imagem), aparecem. Acho que colocaram isso mais por tradição (ou sacanagem), do que por utilidade e seriedade :).

Último reboot, e finalmente a tela de logon surge (imagem). A primeira impressão do Vista é a melhor possível: sem exagero, é o Windows mais bonito de todos.

Visão geral do Vista (mini).
Clique para ampliar.

Começando

O Vista RC2 instalou corretamente o driver da rede e de vídeo. O de som, ele buscou na Internet, bem como o da outra placa de rede (há duas nessa placa mãe). O sistema mostrou-se funcional desde o primeiro momento.

De cara, o que mais impressiona são os efeitos de transparência e esmaecimento. A interface é linda, muitíssimo bem trabalhada, de modo que não é difícil, nos primeiros momentos, você se pegar minimizando janelas, e abrindo programas, e fazendo várias coisas realmente infantis e inúteis, só para ver os “efeitos especiais”. O Aero Glass, tema padrão do Vista, é realmente lindo.

Desempenho.Não gostei mesmo: consumo de memória. Só o sistema, sem programa algum aberto, consome mais de 400 MB! No Windows XP, se bem configurado, dá para iniciar o sistema consumindo menos de 130 MB. Tudo bem que o Aero é bonito e tal, mas é um consumo exagerado. Analogamente, quem usa 512 MB com o Vista terá, imagino eu, a mesma sensação (e o mesmo sofrimento) de quem usa o XP com 128 MB. O uso do processador, felizmente, não é tão alto, embora seja comum vê-lo trabalhando com o sistema parado, ou seja, sem que o usuário esteja mexendo em nada. Estranho.

Meu PC recebeu nota 3,7 do Vista (imagem). Segundo a ajuda do Windows, a nota geral é igual à menor nota individual dos componentes. Juro que li, mas não achei qual a nota máxima. Se for 10,0, tipo, acho que não existe PC potente o bastante para tirar nota máxima em todos os requisitos…

O Welcome Center (imagem) é um bom ponto de partida. Além de links diretos para atividades que, geralmente, são feitas logo após a instalação do sistema, como a criação de novas contas de usuários, há links para baixar programas da linha Live, como a Live Toolbar e o Windows Live Messenger 8.

Interface e usabilidade

O novo Menu Iniciar é um show em termos de usabilidade (imagem). Nada de popups imensos; agora, tudo fica concentrado nele, inclusive a navegação pelas pastas do Todos os programas (imagem). O ícone do usuário é dinâmico; sempre que se pousa o cursor do mouse num dos itens da parte direita do menu, ele muda (imagem). A função de busca no próprio menu é ótima, e agiliza muito o serviço (imagem).

O Explorer foi reformulado também (imagem). Está mais compacto, organizado e funcional. A barra inferior muda de acordo com o arquivo selecionado, dando opções exclusivas para alguns, como notas para fotos, informações sobre o intérprete em músicas, e detalhes da duração e qualidade de vídeos. A barra superior traz links para a exibição/execução desses arquivos em programas do próprio Windows e/ou de terceiros (imagem). Vale citar a busca integrada do Explorer (imagem), muito intuitiva e ágil. A possibilidade de salvar buscas, sendo que os resultados dessas se atualizam automatica e prontamente, será de grande ajuda a longo prazo.

O flip3d é um recurso que impressiona (imagem), embora eu ainda ache o bom e velho Alt + Tab, que agora traz miniaturas das janelas (imagem), melhor.

Flip3D (mini).

Agora, quando se pousa o cursor do mouse numa aba da barra de tarefas, uma miniatura da janela aparece (imagem).

Várias áreas e seções já disponíveis no Windows XP foram reformuladas, como a Central de Segurança (imagem) e o Painel de Controle (imagem). De modo geral, as mudanças foram positivas, facilitando a interação com o sistema.

Novos programas

Uma crítica recorrente que usuários de outros sistemas fazem ao Windows é no tocante aos programas que este traz. De fato, WordPad e Paint não são programas dignos de orgulho (embora eu uso bastante o Paint, mas vá lá). O Vista ainda não é um sistema auto-suficiente, mas em relação aos seus antecessores, melhorou bastante neste ponto.

O Windows Contacts é uma agenda de contatos aparentemente bem completa (imagem). Uma agenda de compromissos também está presente, o Windows Calendar (imagem). Há ainda o antispyware Windows Defender (imagem), e os já conhecidos Windows Media Player 11 (imagem), Windows Movie Maker (imagem), e o Windows Mail (imagem), substituto do Outlook Express.

O Windows Internet Explorer 7 também está presente (imagem), e embora tenha melhorado a interface e corrigido algumas falhas graves na rederização de CSS, ainda é ruim, se comparado a concorrentes como Firefox e Opera. Como não podia deixar de ser, a página inicial é o Live Search.

Agora, o programa mais surpreendente é o Windows Photo Gallery (imagem), um organizador e visualizador de imagens e vídeos. Lembra muito o Picasa, da Google, embora tenha identidade e recursos realmente legais. A organização, feita por notas, etiquetas e datas, aparentemente é forte. De longe, e na minha modesta opinião, o programa mais bacana que acompanha o Vista.

Há uns joguinhos novos, como um xadrez bem bacana em 3D, o Chess Titans (imagem), o Purple Place (imagem) e o InkBall (imagem), concebido para ser jogado com uma caneta, via Tablet PC, mas que dá para ser jogado com o mouse mesmo.

Windows Sidebar

Quem diz que é inútil, deve rever seus conceitos. Sim, tem muitos gadgets inúteis, mas se bem configurada, pode vir a ser uma excelente aliada. A Windows Sidebar (imagem) é uma barra que fica à direita da tela. Ela apareceu nas primeiras builds do então Longhorn (codinome do Vista), depois sumiu por um tempo, e então voltou para ficar. O Vista já traz alguns gadgets, mas é possível baixar mais no site oficial.

Impressões pessoais e conclusão

Posso estar sendo cético, ou chato, ou não ter me acostumado, mas achei o sistema meio “preso”. Ou melhor, o sistema não, mas sim o Aero Glass. Com o bom e velho tema Clássico (imagem ), tudo ficou beleza. E isso, embora seja uma coisa aparentemente boba, pode ser o calcanhar de Aquiles da Microsoft, já que o marketing do Vista é feito, em boa parte, em cima do Aero Glass. Resumindo, a nova interface impressiona, agrada os olhos, mas cansa fácil, é “pesada”, em todos os sentidos.

Há inovações legais, e acredito que existam outras tantas que não consegui notar em um dia de uso, mas enfim, nada que justifique o upgrade do Windows XP, e essa foi minha maior decepção. Simplesmente não há um apelo forte como o que houve na migração do 98/Me para o XP. O Vista acrescenta muito pouco ao excelente XP, de modo que dá para passar sem.

É um bom sistema? Sim, sem dúvida. Mas não senti firmeza. Sei lá. Hoje, levando em conta o fator produtividade, eu fico com o XP mesmo, obrigado.