Quando surgiu, no final de 2003, o primeiro Call of Duty desbancou o então melhor jogo baseado na 2ª Guerra Mundial (Medal of Honor), e tornou-se um marco do gênero, graças ao esmero com que foi produzido, que resultou num game memorável. Alguns anos depois, repetiram a dose em Call of Duty 2, e em seguida, Call of Duty 3, este último, apenas para consoles next gen. A fórmula continuava a mesma, com adições, melhores gráficos e missões variadas.
Introdução e enredo
Há poucas semanas, a Activision lançou Call of Duty 4: Modern Warfare, e o que parecia impossível tornou-se realidade: revigoraram a franquia. Numa estratégia ousada e até arriscada, os desenvolvedores deixaram de lado o conflito mundial que terminou em 1945, deram um salto no tempo, e basearam o game numa guerra fictícia contemporânea. Acertaram, e acertaram em dose dupla.
Quando digo que acertaram duas vezes, quero dizer que, além da mudança na ambientação ter sido positiva (primeiro acerto), o enredo criado é muito além do que se poderia esperar de um game do gênero (segundo acerto). Em Modern Warfare, um maluco russo, Imran Zakhaev, quer acabar com a "prostituição" a qual o Ocidente submeteu sua nação, transformando-a novamente na velha União Soviética, e para tal, financia outro maluco, Khaled Al-Asad, para que ele inicie uma guerra e, assim, atraia a atenção dos Estados Unidos, deixando seu caminho livre para agir.
Durante o game, há duas frentes na qual o jogador combate: o SAS, da e na Rússia, e a USMC, grupo americano que age no Oriente Médio. Graças a essa divisão, as missões são bastante variadas: ora é no calor escaldante do deserto, comandando o sargento Paul Jackson, ora é numa montanha gelada russa, controlando o sargento John "Soap" MacTavish. O tipo de missão também varia muito. Há momentos em que discrição é tudo, e é preciso ficar escondido, matando os inimigos na surdina, com uma sniper ou algo que o valha; em outras, inimigos e mais inimigos aparecem de todos os lados, chegam de cima via helicópteros, e sua missão é simplesmente sobreviver.

Tiroteios dentro de casas são comuns, e bem empolgantes!
A variedade de missões é enorme, mas duas em especial merecem atenção. Numa delas, você se vê dentro de um avião, lançando bombas em edificações e grupos de inimigos, através daquela câmera que, acredito eu, todos já vimos no noticiário da TV (preto e branco, meio falhada, e tal). Na outra, que é um flashback de 15 anos antes, você entra na pele de Price, o barbudão que nas missões dos americanos está sempre presente. Sua missão? Matar o vilão do jogo, Imran Zakhaev. Claro que ele não morre (afinal, se morresse não teria jogo, né?), mas pelo menos dá pra sentir o gostinho de atirar no malvadão
.
Gráficos e som
Como sempre, a Infinity Ward (que produziu este e os dois primeiros games da franquia) deu um show à parte em se tratando de gráficos e som. Mas vamos por partes.

Prestes a matar mais um terrorista!
Os gráficos são estupidamente bonitos e bem feitos. Os cenários são muito vastos, e praticamente todos objetos interagem. Agora, por exemplo, carros explodem, e essa explosão pode ser fatal, caso seu personagem esteja muito próximo do veículo. Há entulho e restos de construções por todo canto (nas cidades), o que aumenta bastante o realismo. Nas fases em montanhas, os elementos da natureza foram muito bem retratados, bem como as condições climáticas - a primeira fase, no navio, tem a chuva mais realista que já vi num game.
Há muitos detalhes realmente legais, que podem e devem ser explorados. O efeito "fora de foco" (me perdoem a falta do nome técnico) foi utilizado à exaustão, e com uma qualidade incrível. Quando se está mirando com uma arma simples, o local da mira fica perfeito, e ao redor, perde-se foco.

Efeito "fora de foco".
O mesmo ocorre quando acidentes, "programados" no enredo, ocorrem: o personagem perde os sentidos, e quando volta, está tonto e desorientado.

Nesta imagem, o personagem tinha acabado de cair de uma guarita que desmoronou.
Não é apenas tecnicamente que Modern Warfare impressiona. O cuidado, típico na série, com as localidades, o modo com que foram construídas e são mostradas, é tudo muito bonito e bem feito.
Claro que toda essa qualidade tem um preço. O game é bem pesado, e não rodará em qualquer PC... A configuração mínima requer Pentium 4 de 2,8 GHz (ou equivalente), 512 MB de memória (768 MB no Vista) e GeForce 6600/Radeon 9800 Pro ou melhor. A recomendada pede processador de 2,4 GHz dual core ou superior, 1 GB de memória (2 GB no Vista), suporte a Shader 3.0 na placa de vídeo, e esta, que seja GeForce 7800/Radeon X1800 ou melhor. Pouca coisa, não? O DVD de instalação tem mais de 6 GB, e apesar disso, o jogo é bem curtinho...
Na máquina utilizada para os testes (Athlon X2 3800+, 2 GB de memória, GeForce 6800GS), foi possível jogar com gráficos no máximo, mas com um framerate baixo, oscilando entre 15 e 20 fps em média.
Mudando de assunto, a trilha sonora segue o alto nível do restante do game, bem como os realistas sons das explosões. Não que eu saiba como é de verdade, afinal, nunca estive numa guerra, mas toda a ambientação sonora é bem feita, de modo a colocá-lo totalmente dentro do espírito do game. Resumindo: é impossível jogar Call of Duty 4 com o som desligado.
Jogabilidade
Praticamente a mesma de Call of Duty 2, o que significa que é excelente. É difícil acertar um inimigo de primeira sem apelar para a mira mais precisa (botão direito do mouse), e com a sniper na mão, seu personagem treme para atirar, algo que pode ser evitado segurando a respiração (botão Shift). A tecla Shift, aliás, também serve para correr quando não se está mirando. Esses detalhes, que existem na vida real (quem serviu o Exército sabe), dão mais veracidade ao jogo, e tornam a experiência mais bacana.
Há novidades, como a visão noturna (acionada, em áreas escuras, com a tecla n). Um ótimo acréscimo.

Visão noturna: novidade muito bem-vinda.
Outras novidades incluem o chamamento de reforço aéreo, através da tecla 6, no qual um helicóptero aparece e manda bala nos inimigos, e uma espécie de tiro secundário, disponível em algumas armas, ao pressionar a tecla 5.
Prêmios e reconhecimento
Call of Duty 4: Modern Farware arrancou notas elevadíssimas em sites de games conceituados (9,3 no Gamespot, 9,4 no IGN e 9 no brasileiro Outerspace). Foi eleito o melhor game de ação pela Gamecritics, game com melhores gráficos e melhor shooter pelo Gamespot, e melhor shooter, melhores gráficos e melhor trailer pelo Gametrailers. Ainda levou o prêmio de melhor shooter, desta vez no Video Game Awards.
Como se vê, o game não é fraco. Vale, e muito, a pena. Hoje em dia é raro aparecer FPSs com single players tão legais quando Call of Duty 4: Modern Warfare, portanto, devemos aproveita quando pérolas como esta aparecem nas prateleiras.
Como não poderia deixar de ser, fecho este primeiro review do Guia com as notas:
- Gráficos: 10
- Som: 10
- Jogabilidade: 10
- Diversão: 10
- Nota final: 10
O artigo sobre o game na Wikipédia inglesa ajudou na obtenção de alguns dados para este review. Vale a leitura!
Quem escreveu?
Rodrigo P. Ghedin. Paranaense, 22 anos, bacharel em Direito e aficionado por informática. Windows-user desde 1996. Powered by "PC frank" (7 Ultimate) e Dell Vostro 1000 (XP Home).
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