Quando Jim Allchin disse que o Windows Vista é tão seguro que poderia ser utilizado sem antivírus até por uma criança de sete anos, sem problemas, meio mundo caiu de pau em cima dele. Entenda por "meio mundo" empresas de segurança que se mantêm às custas dos problemas que malwares em geral causam ao sistema da Microsoft. Bom, como eu estou longe de ter a relevância de um peixão da Microsoft, e não tenho rabo preso com nenhuma fabricante de soluções de segurança, posso dizer que, sim, antivírus é dispensável.
Essa declaração não é radicalismo besta, ou rebeldia sem causa. Não ligo de usar uma solução antivírus, desde que ela não seja tão intrusiva quanto minha mais recente experiência, o Kaspersky 7.0, tem se mostrado. O Windows com e sem ele parece dois sistemas completamente diferentes. Sem antivírus, sistema rápido e eficiente; com antivírus, lentidão irritante. Essa característica "matadora" (da paciência do usuário) não é exclusividade do programa russo; o Norton AntiVirus, da Symantec, há anos tenta se livrar da fama de carroça, fruto dos péssimos programas lançados no início da década - hoje em dia, sinceramente, não sei como as coisas andam por lá. Outros tantos estão na mesma situação.
Melhor que antivírus, é ter bom senso e ser desconfiado. Estes sim são o que protegem o usuário dos males que a Internet reserva. Afinal, se o usuário não acessa sites de gosto duvidoso, e analisa bem os anexos e links milagrosos que chegam via e-mail, o antivírus torna-se um fardo pesado e inútil.
Evidentemente há casos em que nada pode impedir uma contaminação (nem mesmo os antivírus). Para nossa sorte, porém, eles são raros - o último do qual me recordo foi o Blaster, cerca de cinco anos atrás. Manter o sistema atualizado é mais importante do que manter o antivírus atualizado. Fato.
Antes que administradores de rede me crucifiquem, deixo claro que tudo isso que escrevi se refere ao uso doméstico do PC. Não dá para exigir bom senso e responsabilidade de um grupo de trabalho grande; nesses e n'outros casos, como o do PC compartilhado com irmãos menores sem noção, o antivírus torna-se indispensável. É triste, mas é a realidade.

Voltando à declaração de Allchin, ele tinha razão: no Vista, a vida dos crackers fica ainda mais difícil, graças a ferramentas chatas, porém eficazes nesta guerra. O UAC é considerado por muitos um recurso oriundo do pacto feito entre Gates e o capeta, mas a verdade é que, em muitos casos, ele é bastante útil, especialmente para quem não tem muita familiaridade com decisões importantes ao funcionamento do sistema.
Eu uso antivírus. É o BitDefender 10 Free Edition. Ele é bem interessante: não tem proteção em tempo real, logo, não afeta o desempenho do Windows. Quando me deparo com algum arquivo suspeito, faço uma varredura, e pronto. Periodicamente, em geral a cada quinze dias, varredura completa do sistema. E assim vou levando, sem contaminações, e com um sistema estável e rápido.
Discorda? Concorda? Sei que o tema é polêmico, e a idéia é, aproveitando-se disso, gerar um debate saudável e instrutivo nos comentários. A minha opinião está aí, e a sua, qual é?
Quem escreveu?
Rodrigo P. Ghedin. Blogger, MVP Microsoft, acadêmico de Sistemas de Informação e bacharel em Direito.
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