Gears of War é um game de tiro em terceira pessoa, desenvolvido pela Epic Games, e distribuído pela Microsoft Game Studios. Lançado originalmente para XBox 360, alguns meses depois foi portado para os PCs, e toda a fama que carrega consigo tem justificativa: o jogo é muito bem feito, possui gráficos lindos, um enredo bacana, jogabilidade viciante e diversão lá em cima.

Enredo

O jogador entra na pele de Marcus Fenix, um ex-prisioneiro que entro no Esquadrão Delta com a ajuda de Dominic Santiago, outro integrante do grupo. O jogo se passa no planeta Sera, atualmente dominado pela Locust Horde, uns monstrengos horrendos que tomaram as maiores cidades humanas catorze anos antes, no conhecido “Emergency Day”. Representando a COG (Coalisão dos Governos Organizados, em português), sua missão é encontrar o resonator (espere ouvir muito essa palavra durante o game), um acessório cuja função é mapear os túneis de Locust, acionando, assim, uma bomba (”lightmass bomb”) que aniquilará todos os monstros.

Marcus Fenix.

Características gerais

Gears of War, como já dito, preza pela qualidade. Mesmo nas fases mais difíceis, a ânsia por querer avançar é sempre a mesma, e esta anda lado a lado com a tensão, já que, a qualquer momento, monstros podem aparecer em qualquer lugar. Sobre eles, aliás, vale comentar que há uma variedade boa de tipos de inimigos, e o mais legal é que cada tipo possui particularidades. Há uns, por exemplo, que são cegos, mas possuem a audição aguçada, de modo que tiros denunciam sua posição - e, acredite, desviar do bichão é difícil. Outros, são vulneráveis à luz, o que o obriga a andar sob a luz, já que cair na escuridão é sinônimo de morte. Isso aumenta o fun factor, já que, além de resolver os quebra-cabeças do jogo, é preciso também pensar na melhor maneira de matar os inimigos.

Há muita munição espalhada pelos cenários, de modo que dificilmente você se verá de mãos vazias. Mantendo o apelo realístico (dentro do contexto, obviamente), Fenix consegue carregar um número limitado de armas e munição; às vezes, é necessário deixar uma arma antiga para poder carregar uma nova, sendo esta essencial para o avanço do game.

Vale destaque, também, a forma como os tiroteios ocorrem. Os cenários, muitíssimo bem construídos, colaboram, mas o que chama a atenção, mesmo, é o lance de se esconder. Seu personagem é humano (apesar da armadura gigantesca), e como tal, morre com poucos tiros. Sendo assim, é preciso ficar escondido atrás de paredes e entulhos, e quando os monstros derem uma folga, levantar e descarregar as armas em direção a eles. No teclado, o jogo funciona muito bem; é quase como se fosse um shooter (FPS), com a diferença de que o jogador vê o personagem na tela.

Tiroteio!

Jogabilidade

O destaque da jogabilidade já foi explicado no parágrafo acima, mas ainda assim, vale mencionar outras características, como os comandos que Fenix ganha ao ser promovido a chefe do grupamento. Segurando a tecla G, e apertando outras em seguida, você ordena que seu esquadrão se reúna, que ataque os inimigos com tudo, ou então que cesse fogo. É muito legal (“Regroup”)!

Outro lance legal é a corrida, acionada com dois toques para frente; neste momento, a câmera se abaixa, junto com Fenix, e treme com a corrida. Fenix cansa, e se o trajeto for muito longo, faz pequenas pausas para recuperar o fôlego.

A mira é bem realista, e as armas, variadas. Uma delas é bem curiosa: ela não dispara projéteis, mas sim uma mira vermelha, que, por sua vez, aciona um canhão instalado num satélite. Tipo, meio sem noção, mas é bem legal.

Dizem que jogar no joystick é melhor, mas sinceramente, não vi nenhum ponto contra ao jogar com o teclado. Pelo contrário: por ser quase um shooter, acredito que o mouse dê mais liberdade de mira e movimentos do que um joystick, ainda que analógico, poderia proporcionar. Questão de gosto, afinal…

Gráficos

Aqui entramos numa parte que dá gosto de comentar. Que gráficos lindos! No início e na parte final do game, quando os eventos se passam ao ar livre e durante o dia, a grandiosidade e a qualidade das imagens são colocadas à prova. E passam muito bem, obrigado. Boa parte do “miolo” do jogo se dá durante a noite, e isso restringe os eventos a locais fechados e limitados. Não que os gráficos fiquem ruins, longe disso; mas apenas perde-se aquela vastidão empolgante que a luz do Sol proporciona.

Ãreas externas.

Cenário aberto.

A fase da chuva, antes do esquadrão entrar numa fábrica abandonada e descer pelos túneis do Locust, é estupenda! A chuva é de uma perfeição digna de rivalizar com a da fase inicial do Call of Duty 4.

Enfim, não há muito o que falar sobre essa parte, a não ser que, sim, o game é belíssimo. E, curiosamente, não chega a ser estupidamente pesado, como Crysis, por exemplo. No PC de testes, um Athlon X2 3800+, 2 GB de memória e VGA GeForce 6800GS, rodou com poucos engasgos, com o máximo de detalhes, na resolução 1024×768. Não é para qualquer PC vendido nas Casas Bahia, mas também não é algo que requeira a última placa de vídeo em Crossfire/SLI…

Ãudio

É divertidão, se você souber inglês! Fenix, o personagem principal, é o típico mothafucker, e como tal, em vários momentos é ríspido e irônico. E os outros personagens seguem a linha, afinal, são todos uns brutamontes do exército (exceto a mocinha que lhe passa informações pelo rádio). Lembro de um diálogo legal, logo no início do game, onde um membro do esquadrão pergunta ao superior se eles teriam cobertura para entrar num prédio, e o velhote responde algo como “mas vocês são a cobertura!”. Massa!

Na parte técnica, nada a reclamar também. A dublagem é muito bem feita, e soa bem natural (diferentemente de mim, no começo do primeiro Wincast, haha!). A parte sonora cria um clima tenso, que coloca o jogador dentro da atmosfera do game, aumenta a concentração e a intensidade da jogatina. Os tiros e explosões são bem reais e fortes.

Considerações finais

Bairro chinês.

Não é à toa que Gears of War é um dos maiores sucessos do XBox 360. Jogos assim, com tamanha qualidade e requinte, são cada vez mais raros, mais ainda os que conseguem revigorar um estilo de jogo de forma sutil e, ao mesmo tempo, inovadora. O game ganhou muitos prêmios desde que foi lançado, prova irrefutável de sua qualidade acima da média.

Gears of War 2, a seqüência, já foi anunciada, e deve aparecer no final do ano. Já estou ansioso para jogá-lo.

Notas

  • Gráficos: 10
  • Som: 10
  • Jogabilidade: 9,5
  • Diversão: 9,5
  • Nota final: 9,75