XO para cá, Classmate para lá, Positivo na briga também… Afinal, por trás dessa corrida desenfreada na busca do notebook ideal para as crianças utilizarem na sala de aula, será que um PC portátil ajudaria no aprendizado? Na minha modesta opinião, a resposta é: sim! E neste artigo, explicarei o porquê.

Neste último ano de faculdade (é, tô quase formado!), decidi levar comigo o notebook à sala de aula. Desde que comecei a digitar mais do que escrever com caneta e similares, há uns dez anos, a naturalidade com que aperto teclas é bem maior do que a que tenho rabiscando sinais que, dependendo da situação, parecem hieróglifos. Enfim, decidi abolir o caderno, e usar só o notebook para acompanhar as aulas. Aqui entra o primeiro ponto a ser considerado: habilidade no teclado. Afinal, se for para “catar milho”, melhor continuar com papel e caneta. Pelo menos até ter habilidade suficiente para escrever rapidamente no teclado.

As vantagens de organizar notas das aulas em arquivos, ao invés de matérias no caderno, são inúmeras. No computador, por exemplo, posso escrever de qualquer maneira a torrente de informações que o professor passa, e depois, em casa, com calma e tempo, formatar o texto, destacar as partes importantes, complementar com pesquisas e material de apoio, reorganizar as anotações para que o conteúdo flua melhor. Na época caderno, sentia um ódio profundo quando o professor pedia para pularmos três linhas para o ditado de um conceito, e ao proferir o mesmo, o texto fosse de mais de três linhas. Gostava do meu caderno bonitinho, hunf!

É importante que a escola/faculdade forneça uma infraestrutura que potencialize o uso de notebooks em sala de aula. O requisito mínimo, e dificilmente atendido pelas nossas instituições atualmente, é ter tomadas disponíveis para todos os alunos. Meu notebook, com bateria de seis células, se estiver com o WiFi desligado, e brilho do monitor no mínimo, dura as quatro horas de aula, com sobras. Só que, usá-lo com brilho mínimo é um sacrifício para os olhos, sem falar que o cuidado em não gastar a bateria, sob a forma de economia de recursos e programas, enche o saco. Como hoje a quantidade de alunos que utilizam notebook é pequena, duas ou três tomadas, com a ajuda de “tês”, resolvem o problema.

Ainda sobre infraestrutura, oferecer conexão à Internet sem fio (WiFi) é um ótimo complemento. Talvez seja uma faca de dois gumes, mas sobre isso falo depois. O WiFi possibilia acesso a informações externas com rapidez sem igual. No Direito, por exemplo, tenho acesso a todas as leis vigentes no país, atualizadíssimas, através do site da Presidência; posso, também, procurar artigos em sites como o Jus Navigandi e o DireitoNet; posso buscar notícias relacionadas à matéria em discussão; enfim, posso ter acesso a uma ampla gama de fontes e informações auxiliares, num estalar de dedos. Algo que, num cenário onde notebooks e WiFi inexistem, só seria possível na aula seguinte.

Acredito que a área do curso também influencie. Não sei como funciona o LaTeX e similares, mas não consigo visualizar a utilização de um notebook numa aula de exatas. Pelo menos na parte teórica, já que, na prática, programas específicos como AutoCAD e Maple auxiliam muito engenheiros de diversas espécies. Na área de humanas, como é só textos e mais textos, a aplicação do notebook é direta e sem inconvenientes. Alguém aí estuda exatas? Poderia nos dar seu parecer sobre este ponto? Obrigado!

Como tudo na vida, usar o notebook na escola/faculdade não é um mar de rosas. Alguns cuidados extras são requeridos, e cumpri-los é algo primordial para atingir as metas desejadas. Considero duas como as mais importantes. A primeira é fazer backup. Afinal, o notebook pode pifar, ou, o que é mais comum, ser roubado. Essa possibilidade existe, especialmente para quem mora em grandes cidades e vai à pé para a faculdade (como eu). Particulamente, hospedo minhas anotações num servidor, e assim mato dois coelhos com uma cajadada só: além de servir de backup, colegas de classe baixam minhas anotações de lá. O outro ponto é tomar cuidado com distrações, especialmente se houver WiFi. A Internet é tentadora, e eu mesmo já me surpreendi algumas vezes distraído da aula graças a algum site. Tanto que, depois de concluir que isso é, de fato, um grave problema, impus a mim mesmo a regra de só navegar livremente nos intervalos entre as aulas. Durante, quando muito, deixo apenas o e-mail aberto, para eventuais emergências. Manter a disciplina é difícil, mas as vantagens compensam o esforço.

Abordei a questão sob o ponto de vista de um acadêmico, logo, não sei se tudo que escrevi se aplica aos ensinos fundamental e médio. Que a informática pode ajudar na formação, isso é inegável, agora se este objetivo será atingido através de programas como o OLPC, só o tempo dirá. De minha parte, torço para que dê certo.