Esta semana foi um tanto diferente para mim. Após anos e anos de uso exclusivo do Windows, me vi obrigado a recorrer ao Linux, graças a problemas no sistema, cumulados com a falta do CD de instalação. Como já tinha a imagem do Ubuntu 7.10, foi ela a escolhida. Instalei como quebra-galho, e gostei do que vi.
Pra ser sincero com vocês, estou me sentido um John C. Dvorak pobre. A quem não entendeu a referência, eu explico: Dvorak é um conceituado analista de mercado, escreve colunas muito boas (são ou eram publicadas na INFO, por aqui), e durante toda sua vida utilizou Windows. Um dia, recém-chegado num escritório, lhe perguntaram se queria um Mac ou PC. Ele escolheu um Mac, e vejam só, se surpreendeu com a qualidade do sistema. Mais detalhes dessa historinha ilustrativa aqui
Bom, ao contrário do Dvorak, não usei o Mac OS X, mas sim o Ubuntu Linux. E também não vou fazer propaganda pró-Linux, primeiro porque isso é um saco (já me viram recomendar o Windows descaradamente por aqui?), e segundo porque não convém (cada um usa o que quiser). O que quero demonstrar neste texto é a experiência de um usuário de Windows no sistema do pingüim, e só.
Um ponto interessante a ser abordado neste contexto é o comportamento de alguns linuxers. Conversando com um, logo após ter instalado o Ubuntu, comentei que estava utilizando tal distribuição, e a resposta que recebi foi "o ruim do Ubuntu é que, com ele, você não aprende a usar Linux". Não respondi, mas se o fizesse, teria dito "e daí?". Empresas e pessoas realmente interessadas no futuro do Linux investem pesado para acabar com esse estigma de que Linux é complicado, mas muitos usuários, que deveriam trabalhar para reforçar essa mensagem, jogam contra, fazem exatamente o contrário. Ou alguém aí usa Windows porque quer aprender como o sistema funciona? Não! A maioria usa Windows porque está familiarizada com ele, e está assim porque o sistema é fácil e intuitivo.
Questões filosóficas à parte, vamos às minhas impressões. A instalação é fácil e rápida, e quando termina, o sistema está pronto para uso. Um bom número de programas úteis vem instalado por padrão, só notei que alguns deles, como o Firefox e o OpenOffice, apareceram em inglês. Isso pode ser resolvido baixando os pacotes de idioma através do Synaptics, mas aí a questão do "fácil de usar" meio que vai pelo ralo. Detalhes, enfim.
A interface é bonita e bem resolvida, e a usabilidade é um dos pontos altos. Gostei da maneira como as janelas de configurações são organizadas, e principalmente da ausência dos botões "Aplicar" e "Ok". As alterações são on the fly, ou seja, mexeu em algo, está feito, sem precisar de confirmações. Esta é apenas uma das caraceterísticas que jogam a favor.
Quando usei Linux pela última vez, lá pelos idos de 2002, a distribuição com a qual brigava ("usar" é um termo pouco apropriado para o que acontecia entre eu e o PC) era a Red Hat 7.3. Naquele tempo, qualquer usuário médio sentia calafrios quando ouviam as palavras "Linux" e "impressora" numa mesma frase. A instalação de programas era via linha de comando, através de comandos intimidadores para quem usava Windows. Minha experiência com o Red Hat 7.3 durou algumas horas, tempo suficiente para eu, como root, detonar o sistema de forma irremediável.
Essa experiência traumática rapidamente dissipou-se no Ubuntu 7.10. Impressora, mouse, câmera digital, absolutamente tudo que testei via USB, foi instalado de forma indolor e silenciosa. A parte da impressora em especial me surpreendeu: pluguei, e depois de alguns segundos, ela estava pronta para ser usada. Detalhe que, no Windows XP, sou obrigado a baixar um driver bloatware, e no Vista, sou obrigado a fazer um workaround furado que funciona quando quer. Isso me fez pensar: é muito difícil para a Microsoft desenvolver drivers para periféricos ela mesma? Digo, mesmo que o custo fosse alto, metade das reclamações sobre o Vista, por exemplo, não existiria. Isso é algo a ser questionado...

A instalação de programas pode ser feita tanto via interface gráfica (Adicionar/Remover...), quanto pela linha de comando, através do maravilhoso apt-get. O apt-get, embora seja via linha de comando, tem uma estrutura fácil de memorizar, e muito eficiente. Através de comandos simples e lógicos, é possível instalar, atualizar e remover programas. Digitando "apt-get install opera", por exemplo, o navegador Opera é baixado e instalado, automaticamente, sem intervenção do usuário. A interface gráfica é praticamente a mesma coisa, mas tudo é feito com o mouse (obviamente).

Apesar dos elogios descritos acima, nem tudo são flores. Muita coisa ainda precisa ser configurada no braço, ou seja, via terminal (linha de comando). A salvação é que existe muita documentação, oficial ou não, sobre praticamente tudo. A única coisa que não consegui foi habilitar suporte a Real Video sem precisar instalar o Real Player - que, aliás, é muito simpático no Linux. De resto, consegui instalar o candy eye Compiz-Fusion, habilitar o controle de brilho do monitor através do teclado, instalar fontes True Type, instalar o AWN (Dock), dentre outras coisas. Mesmo não querendo, mesmo usando uma distro onde tudo colabora para facilitar a vida do usuário, ainda é necessário recorrer ao terminal. Nada demais para um usuário intermediário, mas algo revelante para quem compra seu primeiro PC nas Casas Bahia, por exemplo.
Senti falta de programas, como um cliente decente para o Twitter (aquele Twitux é ridículo), e um editor de imagens bom (GIMP não se compara ao Fireworks). Em outras áreas, há softwares iguais ou equivalentes, e essa foi uma grata surpresa.
Estou há quase uma semana com o Ubuntu, e digo que, sim, dá para sobreviver com ele. O GNOME facilita muito a migração, e faz com que o usuário de Windows se sinta em casa (ou quase isso). É um sistema legal, bem construído, e com usabilidade caprichada. Para quem não pode arcar com uma licença do Windows, é uma ótima saída. Repetindo o que escrevi n'outro post, em meu blog pessoal, ainda prefiro e recomendo o Windows, mas confesso que passei a ver o Linux com outros olhos depois dessa experiência…
Ah sim: já reinstalei o Windows.
Quem escreveu?
Rodrigo P. Ghedin. Paranaense, 22 anos, bacharel em Direito e aficionado por informática. Windows-user desde 1996. Powered by "PC frank" (7 Ultimate) e Dell Vostro 1000 (XP Home).
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