O Gartner é famoso por suas previsões e recomendações. Ontem, a bola da vez foi a Microsoft e, mais especificamente, o Windows. Michael Silver e Neil MacDonald, dois analistas do instituto, afirmaram que, se a Microsoft não realizar mudanças profundas em seu sistema operacional, a empresa corre o risco de perder a liderança do mercado. Segundo a dupla, a situação está “insustentável”, e se nada for feito, o Windows “entrará em colapso”.

Apesar dessa natureza apelativa, os motivos que fundamentam a declaração são interessantes, e fazem sentido. O Vista é citado, e de maneira negativa. Dizem eles que a última versão do Windows é vista como apenas um punhado de melhorias sobre uma base sólida (XP), e que por causa disso, usuários corporativos não vêem motivos para realizar a migração.

Outros pontos criticados vão desde a base inchada do código-fonte do Windows, passando pela sua natureza monolítica, que impede o sistema de rodar em configurações mais modestas, além de elevar o custo para o usuário final, até mesmo no caso das edições mais simples. Há rumores no ar de que o Windows Seven será modular, o que significa que o sistema operacional será vendido “pelado”, e paralelamente, a Microsoft disponibilizará módulos comprados à parte para agregar a ele. Ou seja, você compra o Windows, depois compra o módulo Media Center, e também o módulo Internet. Nada é certo, ainda, mas a possibilidade existe.

Por fim, recomendações à Microsoft: invistam em virtualização, alterem radicalmente a política de licenciamento do Windows, e façam-no modular.

Um ponto interessante citado por Joe Wilcox versa sobre a (pouca) importância do sistema operacional atualmente, e como isso pode contribuir para a queda do império da Microsoft. Diz ele que o monopólio da Microsoft, obtido na década passada, ocorreu porque o Windows era a plataforma de negócios do momento, o que fomentou e possibilitou a muitas third parties ganharem dinheiro. Hoje, o sistema operacional já não é mais tão relevante. A Internet, através do navegador, tomou para si esse papel. O Google é a prova-mor de tal afirmação, e até mesmo a própria Microsoft percebeu que o futuro está aí. Há uma relação antagônica entre web 2.0 e Windows: enquanto o primeiro foca em simplicidade e infra-estrutura invisível ao usuário, custeada por grandes players, o Windows vai na contramão, exigindo hardware pesado para rodar, e sendo incapaz, por exemplo, de funcionar decentemente no que o povo quer: smartphones (como a Apple faz com o Mac OS X para iPhone/iPod touch), ou mesmo notebooks de baixo custo (Linux e Windows XP conseguem essa proeza).

Vamos fazer um exercício, pensar em algumas possibilidades e fazer previsões (/mae-dinah mode on).

Apesar de todo o bafafá em torno do Windows Seven, o prazo curto estipulado para seu lançamento, aliado às poucas e não tão entusiasmantes declarações sobre novidades incluídas nele, levam a crer que será um upgrade bastante singelo. Arrisco dizer que será algo como o que aconteceu com o Windows Mobile 6.0 > 6.1; talvez um pouco mais drástico, mas nada muito relevante. Não faria sentido a Microsoft lançar uma mega-atualização apenas dois anos depois do Vista, a versão mais cara e demorada já produzida em Redmond. Qualquer coisa fora disso indicam que, sim, o Vista é o “Me II”.

Em paralelo ao Windows, temos o MinWin e o Singularity, dois embriões do que podem vir a ser linhas completamente novas de sistemas operacionais da Microsoft. Chutar o balde da retrocompatibilidade seria uma jogada arriscada, talvez a mudança mais importantes da história da Microsoft, e embora isso pudesse ser a ruína da empresa, por outro lado pode representar um reboot bem-vindo, a chance de colocar tudo nos trilhos, fazer algo com total esmero, sem preocupações com programas criados há quinze, vinte anos. Cada ponto ruim do Windows, cada recurso mal introduzido/aproveitado, cada fonte de críticas de usuários e analistas, poderia ser atacado e corrigido. Imagine um Windows completamente novo. Imagine o impacto que isso traria ao mercado. Imaginou? É, também não consegui.

Fonte: IDG Now!