Desde terça-feira estou usando o Live Mesh Tech Preview, graças a um convite gentilmente cedido pelo Galileu, da Microsoft Brasil. Gambiarras para que ele funcione no Brasil à parte, já que, por ora, o programa é restrito a users americanos, nesses poucos dias pude testar e sentir um pouco o gostinho do que está por vir. Neste review, dei uma passada geral no que o Live Mesh é atualmente, além de citar as possibilidades que, espero, estarão disponíveis quando a versão final sair.

Começando

O cadastro é bastante simples, se resume à autenticação com uma Live ID já existente, ou seja, sua conta do messenger serve. Logo depois disso, o Live Desktop surge no navegador, com o notificador no canto inferior direito, um botão para criar novas pastas, e mais nada. Claro que não demorei muito para adicionar uma pastinha, e ver como tudo funciona na prática.

Live Desktop.

Logo após fazer isso, a mesma pasta aparece nos computadores que estão dentro do anel do Mesh. Por padrão, elas aparecem no desktop dos computadores, mas isso é facilmente mudado através do menu de contexto das pastas - que, por sua vez, diferem das demais por serem azuis.

Pastas locais do Live Mesh.

Seria o Live Mesh um FolderShare melhorado?

Aqui entra uma dúvida: qual a diferença entre o Live Mesh e o FolderShare? Em primeiro lugar, a mais importante: o Live Mesh é uma plataforma, na qual a sincronização de arquivos entre vários dispositivos é apenas um dos alicerces do mesmo. Focando-se apenas nela, na sincronização, ainda assim há diferenças, pois no Live Mesh entra a figura da cloud, ou nuvem, em português, que nada mais é que a Internet. No FolderShare, os computadores que compartilham pastas devem estar ligados para que a sincronização ocorra. Não sei exatamente se é uma conexão peer-to-peer, mas se não for, é algo próximo disso. Já no Live Mesh, a nuvem faz a ponte; para que os dispositivos do anel sincronizem, basta uma conexão à Internet. Outra diferença é que o Live Mesh, futuramente, não se limitará a PCs com Windows; será, também, acessível via Mac OS X e dispositivos móveis que rodem Windows Mobile.

Sincronização de dispositivos

Falando em sincronização, ela é transparente para o usuário, e acontece de forma bastante rápida e não-intrusiva. Por se tratar de um tech preview, ou seja, estágio anterior ao beta, às vezes a sincronização demora um pouco para começar, mas a espectativa é que, na versão final, ela comece instantaneamente. A sincronização pode ser acompanhada em tempo real, e a “sidebar” das pastas associadas ao Live Mesh mostram uma espécie de gerenciador de download dos arquivos.

Sincronização Live Mesh.

O mais legal disso tudo é que o usuário ganha liberdade para trabalhar em qualquer lugar, sempre mantendo todos os arquivos atualizados e sincronizados em todas as suas estações, além de mantê-los na Internet. O espaço ainda é pequeno (5 GB), mas para início, está de bom tamanho. Até mesmo porque não dá para querer deixar todo o HD no Live Mesh, né?

Espírito colaborativo

Aqui entra outra ponta do Live Mesh: colaboração. É possível adicionar contatos às suas pastas, e tal qual como ocorre quando se usa uma sozinha, com seu amigo a sincronização é total e irrestrita também. Imagine que você esteja fazendo um trabalho com outros dois amigos. Cada vez que um mexe no arquivo do trabalho, este é atualizado nos PCs dos outros dois, fazendo o trabalho render e agilizando as coisas. O notificador exibe alterações em arquivos e pastas, e ainda permite acrescentar pequenas notas, ou lembretes.

Cliente do Live Mesh

Como se sabe, para que o Live Mesh sincronize com os PCs, é necessária a instalação de um cliente. Ele tem 1,6 MB, e se resume a um ícone na bandeja, expansível com o simples arrastar do ponteiro do mouse sobre o mesmo.

Cliente do Live Mesh.

Os ícones da parte inferior são, respectivamente, notícias, dispositivos e pastas. No primeiro, como se vê na imagem, fica o histórico do Live Mesh, com as alterações realizadas e mensagens enviadas e recebidas. No segundo, os dispositivos do seu anel aparecem. Por fim, no último aparecem todas as pastas sincronizadas, mostrando inclusive quantos membros estão ativos nela no momento.

Live Desktop

É o que pode vir a ser o primeiro WebOS realmente útil e bem sucedido. Ao contrário de outros, o Live Desktop vai além, graças à sincronização e possibilidade de receber add-ons, e oferece algo que, numa situação real, seria útil. Imagine-se numa reunião, e aquele arquivo no qual você trabalhou nos últimos dias ficou esquecido em casa. Se ele estiver no Live Mesh, basta um PC com uma conexão à Internet para buscá-lo. Lembre-se: para acessar o Live Desktop, o cliente (instalado no PC) é desnecessário.

Como se trata de uma plataforma, a idéia é que, no futuro, add-ons (ou qualquer coisa do tipo) sejam criados, aumentando as possibilidades do serviço. Hoje, o que se destaca é a visualização de imagens, que inclusive faz bom uso do Silverlight 2 num dos modos disponíveis.

Silverlight no Live Mesh.

Apesar de legal (as miniaturas acima têm um efeito bem bacana com o arrastar do ponteiro do mouse), mesmo este recurso, único no momento, é limitado: não há opções de zoom, não reconhece *.gif, dentre outros problemas menores.

A interface do Live Desktop é bem simples ainda. Consiste nas pastas à esquerda, que ainda não podem ser movimentadas livremente pela tela, uma barra de tarefas na parte inferior, semelhante à do Windows, porém sem o botão Iniciar, e do lado esquerdo dela, o marcador de espaço disponível, e o ícone do Live Mesh, que abre o notificador. As pastas, quando abertas, possuem o mesmo visual do Aero Basic do Vista, e também mostram a “sidebar” do Live Mesh à direita.

Ainda aqui, na parte superior da tela há três links: Desktop, que é onde estamos; Devices, que mostra todos os dispositivos que estão dentro da sua Live Mesh na forma de anel, e onde é possível acrescentar outros; e News, que é uma versão maior e mais detalhada daquele painel que aparece no cliente desktop.

Anel do Live Mesh.

Conclusão

Se bem explorado, o Live Mesh é um tem tudo para tornar-se um dos produtos mais bem sucedidos da Microsoft nos últimos anos. A proposta é bacana, e o resultado, mesmo estando o software em tech preview, é bem legal. Um ponto que causará polêmica e desconfiança é em relação à segurança. Afinal, dependendo do uso que as pessoas fizerem do Live Mesh, arquivos confidenciais podem ser deixados ali, o que tornaria uma invasão no Hotmail algo bem mais desastroso. Outro ponto que merece atenção é o cliente, principalmente o consumo de memória que ele faz. Os dois arquivos relacionados ao programa, Moe.exe e MoeMonitor.exe, consomem, juntos, mais de 50 MB, em idle. Mesmo para os padrões atuais, é uma quantidade considerável.

Ratificando o que foi dito, a experiência vem sendo positiva, bem superior à existente com o suposto concorrente FolderShare, principalmente pela existência do Live Desktop, e conseqüentemente, da nuvem (Internet) no meio disso tudo. É o conceito SaaS, ou Software + Services, sendo levado ao extremo, através de uma aplicação inovadora e, o que é mais importante, útil no dia-a-dia.

De minha parte, o Live Mesh já ganhou um usuário assíduo. Agora é só esperar a versão final, junto com dezenas de add-ons