Antigamente, PC era um bem caro. Quando digo “caro”, me refiro a valores em torno dos R$ 3.000,00 - e isso para as configurações básicas. Computador era bem de consumo da classe média, estava longe da democratização, e durava anos a fio na casa do cidadão médio.

O Governo Federal, através da isenção de impostos para computadores baratos, deu um generoso empurrão rumo à popularização da informática. Hoje, é possível comprar um PC decente com mil dinheiros, algo que, há três ou quatro anos, era impensável. Em meio a tantos programas e iniciativas demagógicas e inúteis, essa, realizada através do programa Computador para Todos, é uma das coisas mais positivas que o atual governo fez.

Opiniões políticas à parte, a verdade é que se antes comprar um PC era algo que demandava dinheiro e conhecimento, hoje qualquer um pode ir às Casas Bahia e adquirir um PC completo, pronto para uso. Paralelamente, os doutores Frankstein, que compram as peças separadamente e montam o PC na garagem de casa, continuam existindo. O conflito entre ambos é inevitável.

Se para a maioria da população o PC montado é melhor negócio, será também para quem não é leigo no assunto? Esse é um grande dilema que muitos vivem atualmente, e é justamente por isso que tomei a iniciativa de redigir este artigo.

Dell Inspiron 531.Confesso: se tivesse que comprar um desktop hoje, iria de Dell, ou HP. A tranqüilidade e o capricho da construção, dificilmente obtido por micreiros de fim de semana (ou por mim, who knows?), são os principais fatores que me levariam a tal decisão. Entendam por “tranqüilidade” a comodidade de receber o produto pronto para usar, o sistema já instalado, e a garantia funcional e de fácil acesso. O acabamento e as peças são de qualidade, e a garantia, além de, como já dito, funcionar mesmo, em regra tem prazos bem maiores que o das peças avulsas que integram o PC frank.

Nos PCs de grife, há configurações para quase todos os gostos, e algumas fabricantes, como a Dell, dão ao usuário a possibilidade de alterar as oferecidas, melhorando ou piorando-a. Hoje, compra-se PCs por menos de mil reais, os quais, mesmo com recursos modestos, dão e sobra para determinadas atividades, como as de escritório.

Nem tudo são flores no mundo dos PCs de grife, porém. Marca é algo que, ao contrário do que ocorre com outros produtos, no caso dos computadores deve ser levada a sério. Desde o início do Computador para Todos, muitas marcas nacionais nasceram ou ressurgiram das cinzas, e é com estas que deve-se tomar cuidado. De minha parte, recomendo as que, antes mesmo dessa guinada de preços, já estava no mercado, as quais, não por acaso, detêm a maior fatia do mercado: Dell, HP, IBM/Lenovo…

HP Pavillion 6310br.

Mais que a marca, o principal problema dos PCs de grife é a limitação de opcionais avançados. Se você quiser uma placa de vídeo intermediária, por exemplo, ficará chupando dedo. Ou você leva uma onboard, no máximo uma low-entry, ou já parte para as top, tão caras quanto potentes. Isso afasta gamers casuais, pessoas que, embora até prefiram a comodidade dos PCs de grife, não abrem mão de desempenho acima da média, mas não top.

E é aí que o PC frank, ou seja, aquele montado pelo próprio usuário, que compra as peças separadamente, entra com força. A liberdade de escolha, limitada no PC de grife, aqui é ilimitada. Ou melhor, vai até onde o bolso deixa. É possível, com um certo conhecimento, montar um PC que atenda exatamente às necessidades do usuário. Isso gera outra conseqüência: economia.

Dadas essas características do PC frank, arrisco dizer que ele é recomendável apenas a uma pequena parcela de usuários. São aqueles que precisam de um “algo a mais” em termos de desempenho, e conhecem, muito bem, cada pedaço da configuração. As chances de criar gargalos, ou seja, comprar uma peça que destoe completamente do restante da configuração, ou de gastar dinheiro desnecessário em coisas supérfluas, é muito grande.

Vale uma menção aqui, indiretamente relacionada ao assunto do texto. Nessas lojinhas de informática, comuns em tudo quanto é buraco, em geral são comercializados PCs frank. Particularmente, prefiro evitá-las. Ou eu mesmo monto o PC frank, ou compro um PC de grife. Há lojas que prestam serviços de qualidade, mas são raras. Na minha experiência pessoal, a maioria é formada por semi-amadores e/ou picaretas…

Qual é melhor? É como já disse acima: depende. Se comodidade e segurança é mais importante, PC de grife. Se liberdade e desempenho são prioridades, aí vale a pena investir num PC frank. O que importa, afinal, é que hoje temos opções. Outrora, PCs de grife custavam os olhos da cara, o que forçava o consumidor a encarar PCs frank, mesmo contra sua vontade. Hoje, ambos estão em pé de igualdade, o que dá ao consumidor a liberdade de escolher o que lhe for melhor.