Computador antigo e jogos novos são uma combinação geralmente indigesta. Todo mundo que curte games e usa o computador como plataforma de jogos certamente já passou pela frustração de não conseguir rodar um título novo por falta de capacidade da máquina. Isso é uma triste realidade, já que, hoje, fabricantes de placas de vídeo, que é a principal responsável pelo desempenho do PC em games, lançam até três novas gerações em menos de um ano. Quem consegue acompanhar ($) esse ritmo frenético?
Só que, ao contrário do que paira no imaginário popular, é possível estender a vida útil de um PC para jogos utilizando-se de pequenos artifícios, os quais serão mostrados aqui. Obviamente, não será possível rodar com todos os efeitos um jogo lançado hoje num PC com dois anos, mas pelo menos o essencial, que é jogar, será.

A melhor solução: upgrade do hardware
Pode soar como piada de mau gosto, mas melhor do que tweaks e configurações, o upgrade de hardware resolve. Felizmente, não é preciso gastar centenas de dinheiros para obter um bom desempenho por um bom tempo. O ideal, desde que os jogos surgiram nos PCs, é comprar uma placa de vídeo mid-end, ou em termos mais simples, intermediária.
Como dito, a tecnologia, especialmente a das placas de vídeo, evolui numa velocidade impressionante. E, nessa, as placas de vídeo top, ou high-end, são as que mais sofrem desvalorização. Imagine quem comprou uma GeForce 7950GTX, como está hoje? Se roendo por não ter suporte a DirectX 10. Já que comprou uma GeForce 7600GT (gastando menos da metade do que o cara da 7950GTX), que na época rodava todos os jogos existentes num nível satisfatório, com a economia feita lá atrás, pode, hoje, comprar uma GeForce 9600GT, que, a exemplo da 7600GT na sua época, consegue rodar a maioria dos games atuais com desempenho interessante.
Se dinheiro não é problema, e desempenho extremo é o objetivo, aí não há outra opção senão desembolsar alguns milhares de reais numa placa de vídeo top, uma configuração à altura (sim, porque não dá para usar uma ATi Radeon HD4870X2 num Sempron, né?) e uma mini-usina nuclear fonte poderosíssima. Para nós, meros mortais assalariados, isso não rola jamais. A dica da placa de vídeo intermediária é a mais válida. Atualmente, os modelos que possuem o melhor custo-benefício são a ATi Radeon HD4850 (em média R$ 650,00), e a nVidia GeForce 9600GT (em média R$ 450,00). Não é só o preço que difere: o modelo da ATi é mais poderoso.
A propósito, o membro Chancer, do nosso fórum, recentemente comprou essa belezinha aí de cima, e fez um rápido review. Vale a pena conferir - e sentir o potencial da HD4850.
Você consegue rodar isso?
Se dinheiro está escasso, vamos trabalhar com o que temos. Antes de comprar um jogo, visite o Can you run it?, um site que verifica seu hardware, e diz se ele preenche os requisitos mínimos e/ou recomendados para vários jogos. A lista de títulos disponível lá é bem recheada e atualizada – já conta com Spore, GRID, e outros recentes.
O Can you run it? funciona no Firefox e Internet Explorer, no primeiro via componente Java, no segundo, ActiveX. Ao entrar no site, basta escolher um game na lista, e clicar no botão Can you Run it?:

Após uma rápida análise, que não demora mais que trinta segundos, aparecerá um painel, contendo informações sobre o comportamento de cada componente da sua configuração em relação ao jogo escolhido, e o veredicto acerca da viabilidade dele no PC testado. Resumindo, o sistema mostra se o jogo roda ou não.

Obviamente, os dados mostrados não são absolutos, mas servem para dar uma boa base acerca do game pretendido. Se sua configuração ficou muito aquém dos requisitos mínimos, não insista: certamente o game não rodará. Se chegou perto, ou está próximo dos requerimentos recomendados, vale a pena arriscar, especialmente com as dicas dadas abaixo.
Outra atitude anterior à compra do game que deve ser adotada é testar a demo. "Demo" vem de demonstration, ou demonstração, em português, e não de demônio, como já ouvi por aí
. Uma demo é um trecho bem limitado do jogo que a empresa desenvolvedora libera antes da versão final. Serve para dar um gostinho na boca dos que aguardam ansiosamente o lançamento, além de permitir aos jogadores conferirem se seus PCs dão conta do recado. Em geral, aparecem nos sites das fabricantes, mas há sites especializados na distribuição de demos, como o GamersHell e o FileFront.
Configuração: ajuste o game ao seu PC
Uma grande vantagem dos games para PC é a possibilidade de configurá-lo. Crysis, por exemplo. Não são muitos os que rodam esse game com gráficos no máximo e em resoluções monstruosas. O game é pesado, muito pesado, e a maioria só o consegue rodar "capando" alguns recursos visuais.

Geralmente tais opções ficam nas opções do game (Options), em sub-menus como Graphics. A variedade de opções varia de game para game, mas quase todos trazem opções básicas, como as seguintes:
- Resolução: quanto maior a resolução, maior o esforço do PC para renderizar imagens. Em monitores grandes, o problema se intensifica, logo, diminuir a resolução pode ser uma solução interessante. Perdem-se alguns detalhes, mas nada muito significativo. Para quem possui monitores de 17" ou mais, e um PC meia boca, vale a pena baixar a resolução para 1024x768, quando muito, para 800x600.
- Filtros anti-aliasing: esses filtros possuem uma finalidade muito importante: diminuir serrilhados nas texturas dos games. Só que, não por acaso, é o recurso que, de longe, consome mais "força" da placa de vídeo. Diminuir, ou até mesmo desabilitar o filtro anti-aliasing, pode dar vida nova a um jogo. Um exemplo recente de game que usa e abusa desses filtros é GRID. Na minha VGA, uma GeForce 6800GS, o jogo só vai com filtros desabilitados.
- Qualidade dos detalhes: sombras, árvores, ambiente, pilotos, coadjuvantes... Tudo isso, em alguns jogos, podem ser piorados ou até mesmo limados do game. Com menos elementos para exibir na tela, ou exibindo-os de maneira piorada, a carga de processamento é aliviada, logo, o game roda com mais fluidez.
Muitos jogos possuem uma flexibilidade impressionante, podendo rodar desde computadores poderosos, até em máquinas modestas. Há exceções, como o maldito Crysis, mas em geral, os games dão essa liberdade aos jogadores, o que possibilita que mesmo quem não possua placas de vídeo de última geração consiga jogar.
Manutenção no Windows
Estou devendo um artigo no qual explicarei a diferença entre manutenção e otimização, mas por ora, dá para adiantar algumas coisas aqui. Com o uso, o Windows tende a ficar mais lento e pesado. Isso se deve ao acúmulo de arquivos inúteis gerados por programas de terceiros, entradas inválidas no Registro, e outros resquícios naturais, mas nocivos.
Fazer a manutenção regular do sistema garante que ele rode bem sempre. Não há uma regularidade definida; uns preferem semanalmente, outros mensalmente. De minha parte, acho que uma por mês está de bom tamanho.
A manutenção consiste em eliminar o lixo que o uso diário do computador gera. Há muitos programas que fazem esse "serviço sujo", dos quais destaco três: TuneUp Utilities, CCleaner e MV RegClean. O primeiro é pago, e substitui os dois outros, que são gratuitos. Aí vai do bolso de cada um escolher seu "time", que só para esclarecer, é básico; ainda dá para acrescentar outros programas, como o nacional QuickSys RegDefrag, e o Defraggler.
Outra atitude que pode ajudar na hora de jogar é desabilitar programas ativos na memória, como antivírus, mensageiros instantâneos, etc. O desempenho não melhorará horrores, mas em se tratando de jogos, qualquer coisinha é relevante.
Essa manutenção ajuda o Windows a rodar mais suavemente, e conseqüentemente, contribui para um melhor desempenho dos jogos. Jogos, por si só, são o tipo de aplicação que, para usuários domésticos, mais exige do PC. Ter um sistema estável e rápido, especialmente quando o equipamento não ajuda (ou seja, é fraco), é essencial.
Finalizando...
Por mais configurações que se faça no Windows e nos jogos, chega um ponto onde o upgrade é a única saída, especialmente da placa de vídeo. Esse momento depende de vários fatores, mas o principal depende de você, jogador: seu nível de exigência. Conheço gente que, com uma velhíssima GeForce FX5200, ainda hoje se diverte e está satisfeito com o desempenho obtido. Como se vê, o grau de exigência desse jogador é baixo, já que a FX5200 é uma placa antiga e defasada. Antes de qualquer compra, vale a pena pesquisar, afim de encontrar o melhor custo-benefício. Para isso, nosso fórum está à disposição de todos.
Para finalizar, deixo um link para um post do Meio Bit que, quando li, me fez repensar muita coisa acerca de configurações, placas de vídeo e tudo mais: este aqui. Depois que li e vi isso, conclui que, no fim das contas, o que importa mesmo é a diversão. E, pelo menos para mim, enquanto minha boa e velha GeForce 6800GS conseguir rodar Winning Eleven / Pro Evolution Soccer, ainda que na qualidade média, está ótimo
.
Espero que o artigo tenha sido útil, e até a próxima!
Quem escreveu?
Rodrigo P. Ghedin. Paranaense, 22 anos, bacharel em Direito e aficionado por informática. Windows-user desde 1996. Powered by "PC frank" (7 Ultimate) e Dell Vostro 1000 (XP Home).
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