Meu último post sobre o Microsoft TechEd 2008 gerou um pouco de controvérsia. Tanto eu quanto o funcionário da Microsoft que deu as informações fomos criticados nos comentários. Por isso, vou explicar o meu ponto de vista (que concorda com o dele) e aproveitar para contar como um Windows é produzido.
Um dos comentários que mais me chamaram a atenção foi o do Megabyte, que escreveu o seguinte:
Esse “funcionário da Microsoft” só faltou aconselhar a desinstalar o Vista e reinstalar o Windows XP (rsrsrs). O Windows Vista já vem otimizado, “problemas” só se forem da parte de software, do hardware da máquina ou “daquela peça”, que fica entre a cadeira e o teclado! Em minha empresa, esse “funcionário” não trabalharia!
Ambos fomos completamente mal compreendidos. O que o Arthur Higashiyama disse foi que o Windows pode ser adaptado para o cenário no qual o usuário está inserido. O Vista, por exemplo, já vem redondo e funciona muito bem em máquinas com os requisitos mínimos determinados pela MS.
Perfeito. Não quer mexer no seu Vista? Ele vai continuar funcionando numa boa. Mas existem sim alterações que podem deixá-lo ainda mais rápido, como a desinstalação de alguns serviços no exemplo que eu dei. Isso acontece porque o Windows é concebido para um determinado tipo de usuário, quando, na verdade, existem milhões de usuários com necessidades diferentes. É aí que cada um deve aproveitar para moldar o sistema operacional ao seu cenário, caso assim deseje.
Parte disso ocorre porque o Windows é pensado para um tipo de usuário. A grande verdade é que ele é construído para ser usado nas grandes corporações, que compram licenças em volume avassalador. Felizmente os interesses dos usuários dessas grandes empresas encontram-se com os interesses do end user, como eu ou você.
Um novo Windows
Uma nova versão do Windows começa a ser feita a partir do feedback que a Microsoft tem da versão anterior. O primeiro passo é chamar os grandes montadores de computadores (também conhecidos como OEM), como uma Dell ou HP da vida. Essas empresas dizem para a MS quais foram os pontos fracos e os pontos fortes da versão anterior, de modo que a nova versão seja melhor.
A empresa também chama grandes corporações que compram licenças do sistema operacional para usar em suas máquinas atuais. A Microsoft Brasil, por exemplo, convida imediatamente a Petrobras para conversar sobre o que entra e o que sai na nova versão.
Quando o trabalho mesmo começa, são criados vários times independentes. Alguns deles são os de Núcleo, de Gráficos, de Sistema de Arquivos e de Segurança. Existem outros. Eles trabalham sem que haja interferências de um grupo no outro, pelo menos nessa primeira etapa. São desenvolvidos os códigos referentes a cada um desses grupos, que mais tarde serão costurados.
Uma vez que essa etapa esteja concluída, o planejamento estratégico da empresa decide quais versões serão comercializadas. Não existe uma fórmula para dizer como a Microsoft decide isso. É a alta cúpula da empresa, através de pesquisas e apostas próprias, que determina as versões. Os times passam a seguir esse planejamento e costurar os códigos para criar uma versão final.
O Windows Vista, por exemplo, é comercializado em cinco versões diferentes. O planejamento estratégico é que define quais características cada uma das versões do Windows terá. Uma delas acabará servindo melhor ao usuário final. Na atual família de produtos Windows, eu recomendo para o usuário final o Windows Home Premium. Para mim, é a versão que parece ter o melhor custo/benefício.
Pode soar simples, mas todo esse processo consome um tempo enorme e muito dinheiro. O Windows 7 parece já estar na fase em que os códigos estão sendo desenvolvidos. Grandes montadores de computador e grandes compradores de licenças Windows já se reuniram com a Microsoft para dar suas opiniões. Agora é hora de colocar a mão na massa.
Windows Sete

Windows 7 já está sendo desenvolvido
Não é à toa que algumas características do Sete já estão começando a surgir, a partir do feedback que a MS recebeu. O que me informaram no TechEd é que, primordialmente, o Sete será um sistema mais leve que o Windows Vista. Garantiram-me que o hardware utilizado atualmente para rodar o Vista com tranqüilidade será o mesmo necessário para rodar o Sete, daqui a uns dois anos.
O kernel do Windows 7 não mudará, porque a Microsoft acredita que é muito cedo para fazer esse tipo de alteração. Outra coisa importante é que o sistema operacional terá parte de seus serviços não mais embutidos no próprio sistema, mas disponíveis na rede, ou melhor, nas nuvens. Reza a lenda que o Outlook Express Windows Mail vai morrer, porque a Microsoft passará a oferecer somente o Live Hotmail em ambiente web.

Microsoft ainda é líder absoluta
A responsabilidade é muito grande, e nem sempre é fácil agradar a todos os consumidores. Hoje, 90% dos computadores do mundo rodam Windows. Esse cálculo, feito pela Microsoft, já inclui videogames (como os XBox, que são verdadeiros computadores) e smartphones como o iPhone. Falando especificamente de computadores pessoais, os sistemas da Microsoft abocanham 98% do mercado.
Quem escreveu?
Thássius V'. Carioca, 20 anos. É blogueiro e estudante de Jornalismo. Não larga seu Windows Vista por qualquer Mac que seja. Também escreve nos blogs Memórias Fracas, Tecnoblog e Guia de Eletrônicos
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