Teclado, para mim, é como técnico de futebol: quanto menos aparece, melhor. Um bom teclado precisa ser confortável, responsivo, prático e discreto. São características que, no papel, parecem simples de serem alcançadas, mas que na prática mostram-se raras de serem encontradas reunidas num único produto, especialmente nos famosos xing-lings, produtos baixo-custo que, justamente por custarem pouco, são os mais populares.
Em níveis superiores, onde quem manda são marcas como Microsoft e Logitech, encontrar teclados bons é fácil. O problema é encontrar teclados bons e baratos. Há tempos usando um Mtek confortável, porém muito barulhento, decidi abrir um pouquinho a carteira e adquirir um modelo melhor. E dentre as opções intermediárias, ou seja, a que agrega modelos bons, mas com fio, acabei encontrando no Lenovo 73P2658 um excelente custo-benefício.

Lenovo 73P2658.
Antes da alta do dólar, esse modelo saía por R$ 80,01 - e, por sorte, foi esse o preço que paguei no meu. Hoje, no site da Lenovo, o mesmo modelo custa R$ 100,51. Não é o mais barato, mas também não é o mais caro. É, como já dito, um modelo intermediário, que consegue suprir minhas necessidades sem maiores problemas.
Paradoxalmente, o maior destaque do 73P2658 (ainda não decorei esse número) é a discrição. Sejamos francos: ele é feio, como, aliás, a maior parte da linha de produtos da Lenovo. Só que, também igual aos outros produtos da fabricante chinesa, é de uma qualidade surpreendente. O plástico usado é rígido, e as teclas passam confiança, são confortáveis, silenciosas e firmes. Exatamente o que eu buscava.
Alguns detalhes circunstanciais chamam a atenção, como o "caminho" destinado ao fio, evitando que o próprio teclado o amasse. Existem dois, um para a esquerda, e outro para a direita, agradando, assim, a gregos e troianos.

Caminho especial para o fio.
Esse teclado é padrão ABNT2, o famoso "teclado brasileiro", com cedilha. Ele traz todas as teclas de um teclado convencional, com disposição conservadora, sem invenções que, na maioria das vezes, atrapalham mais do que ajudam. As teclas Enter em roxo claro, marca registrada desses produtos desde antes da compra da divisão de PCs da IBM pela Lenovo, permanece lá.

Enter roxo.
Além das teclas convencionais, o 73P2658 possui várias outras especiais. São três blocos, portanto, vamos por partes.
A primeira, mais visível, fica na parte superior. São atalhos rápidos para programas, indicados acima de cada botão. Os botões, aliás, são redondos e possuem, no centro, uma marquinha colorida. Algo de gosto duvidoso, parecendo aquelas bolinhas de peças de dominó, mas... Elas vêm pré-configuradas, e através de um software (horrível) que acompanha o teclado, num CD, é possível personalizá-las.

Atalhos rápidos.
Ainda sobre esses atalhos rápidos, dois pontos estéticos merecem menção, um bom, outro ruim. O bom é que a parte do texto é oca, e os nomes dos programas são, na realidade, um papel inserido por baixo do teclado. No pacote vêm outras faixas de nomes, em vários idiomas, menos (e aqui entra a menção ruim) português do Brasil. Poxa, não ter uma faixa de nomes em pt-Br num teclado padrão ABNT2 é meio difícil de engolir... De qualquer maneira, o padrão é simples, de modo que não deve ser dificultoso fazer um usando um CorelDRAW da vida.

Faixas. Tem até japonês, mas nada de pt-Br...
à esquerda, no canto superior, temos os atalhos rápidos de mídia. Trata-se de um círculo contendo sete botões, mais um à direita, o mudo. Esse atalho é muito bem localizado e o desenho das teclas é inteligente. O botão central abre o player padrão, os laterais controlam o volume geral do sistema, e os das extremidades controlam a música, funcionando como atalhos globais, já que o player não precisa estar em foco para que elas funcionem. Muito prático.

Atalhos multimídia.
Por fim, temos mais dois botões de atalho à esquerda do teclado. Eles funcionam para avançar ou retroceder páginas, no navegador.

Atalhos de navegação.
Ainda há outro botão, um roxo com o desenho de uma caixa de ferramentas, no topo. Acredito que o meu esteja desconfigurado, já que, quando pressionado, ele mostra a janela Informações do sistema, mas enfim, não deve ser algo de muita utilidade.
Voltando às teclas normais, impressiona o detalhe das informações específicas do padrão ABNT2. Todas as teclas que possuem utilidade se pressionadas em conjunto com o Alt Gr são indicadas com o símbolo que geram. Outro detalhe que só o tempo mostrará se é bom ou não, é a tinta usada nas teclas. Elas passam a sensação de serem resistentes, mas, isso só o tempo responderá.
Além desse monte de teclas especiais e atalhos, o 73P2658 (já decorei!) ainda é um HUB USB, contendo duas portas. O teclado em si é USB, e tem, na parte superior, à direita, duas entradas para uso geral.

HUB USB.
Como todo HUB do tipo, não dá para esperar milagres. O Nokia N82 ele aceitou numa boa, mas quando inseri um pendrive Kingston DataTraveler 512 MB, o Windows mostrou uma mensagem dizendo que faltava energia ao HUB, o que se repetiu quando tentei usar um joystick Logitech Rumblepad 2.

Energia insuficiente.
Além das teclas macias e silenciosas, outros fatores contribuem para o conforto. O principal é o apoio emborrachado acoplável. Ele possui ganchos, que servem para literalmente acoplá-lo no teclado, mantendo-os firmemente grudados. Para quem sofria de calos no pulso por conta do mouse, e escreve muito todos os dias, é um alívio.

Ganchos da base de apoio.

Base de apoio prestes a ser acoplada.
Outro detalhe interessante e diferente é que o teclado possui não dois, mas três níveis de inclinação.

Três níveis de inclinação, ao gosto do freguês.
E é isso! O Lenovo 73P2658 é um teclado acima da média, condizente com o que custa. Não é nem tão caro quanto os produtos mais robustos da Logitech e da Microsoft, nem tão barato quanto xing-lings da Mtek e Satellite. É um produto na média em termos de preço, e acima da média quando se fala em qualidade, características essas ótimas para quem dá prioridade a custo-benefício.
Espero que tenham gostado da análise, e até a próxima - que, acreditem, virá antes do que possa parecer. Ah, e só para constar, esse não será sorteado; é meu e ninguém tasca
.
Quem escreveu?
Rodrigo P. Ghedin. Paranaense, 22 anos, bacharel em Direito e aficionado por informática. Windows-user desde 1996. Powered by "PC frank" (7 Ultimate) e Dell Vostro 1000 (XP Home).
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