Já escrevi, n'outra oportunidade, o quão informações sem fontes confiáveis e/ou análises mais criteriosas podem ser ruins para todos - Microsoft, consumidores, parceiros e todo o resto. Ontem foi a vez do Slashdot, um dos blogs de tecnologia mais lidos do mundo, viajar na maionese. O blog publicou o relato de um usuário do Windows 7 alarmado com o suposto poder de fogo do DRM embutido na nova versão do sistema.

Foto de um Photoshop pirata.
O mancebo alega que, depois de instalar um plugin pirateado em sua cópia original do Photoshop, o programa da Adobe parou de funcionar. Além disso, alega também que o Windows 7, malvado como ele só, impede a gravação do áudio que está sendo reproduzido (o famoso Stereo Mix, ou Wave Out).
As alegações dele vão além. O membro, identificado como TechForensics, diz que o Photoshop para de funcionar porque o Windows abre uma exceção em seu firewall, e aí a Adobe põe as manguinhas de fora e bloqueia o uso do programa. E que a limitação na gravação de áudio seria algo relacionado à RIAA e suas táticas pouco ortodoxas, visando diminuir a pirataria de CDs - como se gravar a música via Stereo Mix fosse a melhor opção de rippagem de CDs...
O Ars Technica fez um raio-x da história do rapaz, e a conclusão (óbvia, aliás) é de que ele "comeu barriga".
Segundo o editor Peter Bright, o Photoshop dele parou de funcionar por uma dessas duas razões: o crack era ruim, ou não batia com a versão do Photoshop utilizada. O firewall não foi aberto magicamente pelo Windows - que, aliás, "enxerga" o Photoshop como o faz com qualquer outro programa. O instalador do Photoshop, sim, pode ter aberto o firewall. Como? No momento da instalação, ele, usuário, deu privilégios administrativos para o programa.
E o problema com o áudio? Alguns sites que acompanho chegaram ao cúmulo de complementarem a "notícia" dizendo que "com isso, o novo Windows pode perder popularidade antes de ser lançado, e perder ainda mais espaço na edição de áudio para os Macs". Há duas suposições para a ausência do Stereo Mix: ou a placa de som não suporta, ou o driver não dá a opção. Como o texto original diz que o recurso aparece no Windows XP, o problema está no driver mesmo - como, aliás, ocorre comigo também.
Nessa, qual é a do novo Windows em relação a DRM? Na prática, o Windows 7 dá o mesmo tratamento que o Vista. O Vista traz a ativação do produto e o WGA como principais dispositivos DRM, cujo intuito é proteger o próprio sistema. Há quem questione a questão da privacidade do usuário ante esses recursos, mas na prática, e até onde se sabe, eles são inofensivos. O Vista trouxe, ainda, dois dispositivos DRM nunca utilizados: o Protected Video Path (PVP) e o Protected User Mode Audio (PUMA). Ambos criam espécies de canais seguros para a reprodução de vídeo e áudio digital à prova de captura. Foram muito criticados quando anunciados para o Vista, mas caíram no esquecimento, inclusive da indústria, que praticamente não os usam, o que faz com que eles fiquem adormecidos no sistema.
Privacidade é deveras importante, precisamos ficar de olho e lutar contra quaisquer abusos. Por maior que seja o controle de mercado que a Microsoft tenha, nada justifica práticas desleais. Mas, por outro lado, também não há nada que justifique ataques infundados contra recursos que sequer existem, baseados num único relato de um joão-ninguém e carente de testes mais detalhados, científicos.
Quem escreveu?
Rodrigo P. Ghedin. Paranaense, 22 anos, bacharel em Direito e aficionado por informática. Windows-user desde 1996. Powered by "PC frank" (7 Ultimate) e Dell Vostro 1000 (XP Home).
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