Quem acompanha o WinAjuda há bastante tempo sabe que, em regra, não dou margem para discussões do tipo "meu sistema é melhor que o seu". Em 99% dos casos são fanboys sem muito o que fazer que transformam essas celeumas virtuais em suas razões de viver. Mas, infelizmente, há muitos "ataques" vindos de gente séria e compromissada, mas que, não sei por qual motivo, não quer ver o que há de ruim em seu sistema preferido.
É algo infantil, e ainda agora me questiono se é válido publicar um post desses. Mas existem, sim, boas razões, e a principal e definitiva, que me fez clicar no botão Publish, é esclarecer algumas injustiças.

MacBook Pro.
Não vou me estender muito, apenas transcrever duas declarações e comentá-las. A primeira vem do ZDNet. É um trecho da entrevista com Charlie Miller, hacker que conseguiu derrubar um MacBook totalmente atualizado através de uma falha no Safari em espantosos 10 (dez) segundos no desafio Pwn2Own. A entrevista é muito boa, o cara fala de como essa área underground da informática funciona, e dá para vislumbrar os nuances da mentalidade de gente que vive à caça de falhas em sistemas. Questões filosóficas à parte, o que nos interessa é essa pegunta (e, consequentemente, sua resposta):
Por que o Safari?
É muito simples. O Safari no Mac é mais fácil de ser explorado. As coisas que o Windows faz para dificultar [o funcionamento de ataques], Macs não fazem. Hackear Macs é muito mais fácil. Você não precisa fazer malabarismos e lidar com todas as barreiras anti-ataques que se encontra no Windows. A coisa é mais sobre o sistema operacional do que o programa [afetado]. Firefox no Mac é muito fácil também. O sistema [Mac OS X] não tem coisas anti-ataque embutidos nele.
Não sou eu quem estou dizendo, nem um fanboy de Windows. É um cara que vive de descobrir falhas e bugs, e mostrou, para quem quisesse ver, como derrubar o Mac OS X totalmente atualizado em 10 (dez) segundos. Essas declarações reforçam uma teoria bastante antiga: o Mac OS só é seguro porque tem pouco marketshare, o que gera pouco interesse a hackers e crackers. E põe por terra outra, ainda mais antiga e muito mais alarmada: a de que Windows é inseguro. Como veem, e por mais incrível que pareça, nas palavras de um hacker, o Windows é mais seguro que o OS X.
Em outra pergunta, Miller diz que uma falha do IE8 vale muito mais do que uma no Safari. O motivo? Ele não diz, mas é óbvio. Mesmo com as contantes quedas na quantidade de usuários, o IE ainda é utilizado por mais de 70% da população mundial. Entre atacar um sistema com algo em torno de 5% (Safari), e outro com 70%, qual é mais interessante para o mal intencionado? (Isso foi uma pergunta retórica.)
Agora junte a facilidade explicitamente dita por Miller, e o marketshare dos sonhos da Apple (vamos lá, os 88,14% do Windows está bom?). O que teríamos? Algo talvez pior do que o Windows no fim da década passada. Os mais velhos (Code Red, Blaster, etc.) sabem do que falo. Como diz o filósofo cabeça-de-teia, "com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades".
Outro post, outro ponto. O Gizmodo Brasil fez uma interessante análise sobre a "Taxa Apple" no mercado brasileiro, que, com devidas adaptações, aplica-se a qualquer lugar do mundo. Trecho transcrito de lá:
(...)
Se é assim, então vamos comparar os preços de dois MacBook com design semelhante, ou seja, com corpo de alumínio! Simples. Vemos então que a diferença de preço entre os dois MacBook Pro de 15 polegadas é de...
R$ 3.330.
As vantagens do modelo superior? Processador mais veloz, o dobro de RAM, disco maior. And that’s all, folks. É uma configuração bem superior, mas, pô, o design geral é o mesmo, e com R$ 3.300 dá para comprar a versão mais barata do MacBook branco!
Foi o tempo em que Macs tinham características especiais, que eram diferentes do PC em que escrevo este post e, provavelmente, a partid do qual você está lendo esse texto. Hoje, por dentro, um Mac é nada mais que um PC, bem montado, é verdade, com um design matador, e uma maçãzinha brilhante n'algum lugar da carcaça. Nada mais especial. Nada.
A única coisa que justifica a compra de um Mac, pensando racionalmente e desconsiderando a prática do Hackintosh, é o Mac OS X. Porque de resto, é possível encontrar muitos modelos de outras marcas, tão bons quanto os da Apple, por preços bem mais tentadores, e configurações mais parrudas que as dos PCs de Cupertino. Eu me abstenho de tecer comentários sobre o OS X porque nunca tive a oportunidade de usá-lo tempo suficiente para formar opinião sobre. Conheço quem o use e adore, e isso mostra que o único diferencial racional da Apple é forte. Tanto que a empresa promove uma verdadeira caça às bruxas contra quem faz hackintosh comercialmente - a Psystar que o diga. Por que esse medo de ver o sistema na concorrência?
Sistemas operacionais à parte, eu realmente fico impressionado com quem paga R$ 13 mil reais num MacBook Pro 17". Cada um faz o que quer com dinheiro, claro, mas, de minha parte, é ruim de eu pagar meio Mille Economy num PC que, por acaso, pode ser adquirido de outras marcas por menos da metade do preço. Como tudo que vem do coração, é algo inexplicável. Ou não, segundo esse outro trecho da matéria do Gizmodo:
Assim, parece-me impossível deixar de lado aspectos abstratos quando se fala em Taxa Apple. Entram na conta não apenas possíveis características técnicas já mencionadas, mas também – e talvez principalmente – elementos mais sentimentais ou pessoais, como o hype, o coolness, o hipness e, claro, o fanboyism. Ser cool, ter estilo, ser dono de um objeto bonito.
E, como também diz o Giz, não há nada de errado com isso. O problema é que, na visão da maioria (maioria, não todos) Mac-users, a recíproca não é verdadeira. Se eu falo que uso Windows para um Mac-addicted, na maioria dos casos a reação do mancebo é olhar-me como se eu fosse um excluído, ou alguém contaminado por uma doença transmissível. Fica aquela coisa chata e maçante, "Windows é ruim", "PC fede". E, como demonstrei acima, a coisa não é bem assim, o Windows é seguro (mais que o Mac OS X), e o PC, vejam só, por dentro é idêntico a um Mac.
Para fechar, e aproveitando para deixar claro que apesar do tom meio carregado do post, não tenho críticas contra Mac-users não-fanboys, deixo o link para um texto extremamente coerente, publicado no MacMagazine. Nele, Halex Pereira disseca uma nova campanha de marketing da Microsoft (que, a propósito, ainda tenho que escrever sobre, aqui no WinAjuda), na qual uma pessoa comum dispensa solenemente o universo da Maçã. Enfim, vá lá e leia - e não se esqueça de voltar aqui e comentar, de maneira civilizada. Se o Rafael conseguiu* uma discussão saudável sobre sistemas, nós também conseguimos, certo?
.
*: btw, recomendo fortemente a leitura desse texto. É mais um caso Lauren-like, ou seja, um cara comum (dentro do contexto), que só quer que seu PC funcione e rode os programas que ele gosta. E, nesses termos, por mais chocados que Mac-fanboys possam ficar, o Windows lhe satisfaz.
Quem escreveu?
Rodrigo P. Ghedin. 23 anos, paranaense, blogger, MVP Microsoft, acadêmico de Sistemas de Informação, leitor voraz, cinéfilo padawan e peladeiro de PES. Windows-user desde 1996. Powered by "PC frank" e Dell Vostro 1000, ambos rodando Windows 7 Ultimate.
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