Alguém descobriu que, desabilitando o filtro de segurança do Bing, tarefa essa bastante trivial, é possível ter acesso a vídeos adultos através da pesquisa do buscador, e mais, que mesmo em redes onde os sites em que os vídeos estão hospedados ficam bloqueados, a pré-visualização dos vídeos educativos é possível. Foi o suficiente para uma avalanche de reclamações de administradores de redes e pais puritanos/ingênuos.
Avalanche grande o suficiente para fazer com que a Microsoft mexesse seus pauzinhos, e liberasse uma gambiarra para que administradores bloqueiem as buscas por conteúdo erótico/sexual no Bing. A gambiarra é simples: adicionando o parâmetro adlt=strict aos resultados, mesmo com o filtro de segurança desabilitado, resultados adultos não aparecem. A Microsoft prometeu, para logo, uma solução mais completa para o "problema".
***
Um leitor questionou esse ponto delicado sobre o Bing num post de anteontem, linkando um post da INFO. Resumindo o que Maurício Moraes escreveu lá, um empresário "descobriu" que o Bing lista conteúdo de sites adultos, e que exibe os vídeos na própria página dos resultados. Isso é um absurdo, isso é imoral, a alegria dos adolescentes. Calma lá, não é bem assim.
Há um erro grave de interpretação do recurso Smart Motion Preview. Moraes escreveu o seguinte:
É que ele descobriu que os vídeos mostrados na página do Bing tocam automaticamente: basta deixar o mouse sobre eles. Ninguém precisa, portanto, entrar nas páginas que hospedam esses impressionantes curtas-metragens – muitas dessas home pages estão recheadas por spyware e outras malvadezas.
A pré-visualização é nada mais que isso, uma pré-visualização. No post do blog oficial do Bing, onde os desenvolvedores anunciam o "problema", eles tratam de esclarecer que não é o vídeo completo que é transmitido ali, mas sim um pequeno trecho, de, no máximo, trinta segundos. A intenção é fazer dessa pré-visualização uma espécie de trailer, que permita ao usuário, de antemão, saber se o vídeo vale a pena ou não.
E essa questão de atribuir ao Bing o consumo de pornografia na Internet chega a ser ingênua. Compará-lo ao Google nessa seara, idem. Pornografia existe, é responsável por boa parte do tráfego mundial de dados, e não será o Bing que a proliferará mais, ou acabará com isso. Há motivos para preocupação, sim, mas não por "fazer a alegria dos adolescentes"; o problema reside no acesso a esse conteúdo em redes grandes, corporativas. De outro modo, culpar o Bing por facilitar a pornografia soa tão surreal quanto culpar o Google por pirataria, como alguns trataram de fazer quando os idealizadores do The Pirate Bay foram condenados.
Fonte: Neowin.
Quem escreveu?
Rodrigo P. Ghedin. Blogger, MVP Microsoft, acadêmico de Sistemas de Informação e bacharel em Direito.
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