Desde que a Microsoft tornou obrigatória a atualização para a última versão do Windows Live Messenger, muita gente tem reclamado. Dizem que o "MSN antigo" é melhor, que o novo não presta, é ruim, blablablá.
Não condeno o direito de reclamar, apesar de não concordar com os argumentos. O Windows Live Messenger 9, última versão que todos estamos usando agora, é mais leve que os antecessores, tem um visual bem mais agradável, e recursos muito interessantes e únicos, como login simultâneo em várias fontes.
Eu já fiz parte do time dos reclamões, mas há muito tempo. A única atualização do Live Messenger que me deixou frustrado foi a transição da 6.2 para a 7.0. O então MSN Messenger 6.2 era leve, estável e rápido, e a versão seguinte (7.0), além de pior tecnicamente, introduziu coisas terríveis, como os malditos winks. De lá para cá, a Microsoft só fez tornar o programa melhor. O único tiro no pé, talvez, foi ter trocado o nome do programa, mas isso é um detalhe mais mercadológico do que técnico.
Reclamar é normal, o que me deixou meio perplexo é a alternativa sugerida: ICQ. Entendo a importância histórica que o programa israelense tem, e da sensação de nostalgia que essas três letrinhas causa em qualquer macaco velho de Internet. Mas, faço apenas uma pergunta a quem sugeriu o ICQ como alternativa: você já testou o ICQ 6.5, última versão do programa?
Ontem, após tomar ciência da extensão do movimento, me dei o trabalho de instalar o monstrinho de 16 MB, ressuscitar meu UIN e encontrar algum maluco disposto a fazer o mesmo. E, por pior que seja o Windows Live Messenger, o que não é o caso, dizer que o ICQ é melhor é muita ingenuidade, ou pura pirraça.
Para começo de conversa, o ICQ pertence a uma empresa mais "maligna" que a Microsoft, a AOL. Particularmente não ligo para essa de "empresa do mal", tremenda bobagem, se me permite dizer. Mas a AOL não é só um nomezinho marcado, é sinônimo de... propaganda. E o ICQ já começa a mostrar que não nega a paternidade na instalação. Veja:

Instalação do ICQ 6.5.
A Full Installation (recommended) vem marcada por padrão, e junto com o programa, instala a barra de ferramentas do ICQ, e troca, sem consentimento do usuário, o motor de busca padrão e a página inicial do navegador. Pior: as opções da Custom Installation ficam ocultas! Só aparecem quando o usuário a marca.
Após instalado, é triste abrir o ICQ e ver que o programa está pior que antigamente. Interface pesada e poluída, cheia de anúncios gigantes e nada muito útil e/ou diferente.
O tiro de misericórdia foi notar que, com tanta coisa bacana para copiar da concorrência, a AOL decidiu copiar os (adivinhe) winks!
Não preciso dizer que não há integração com Windows 7, e, para piorar, é preciso liberar o programa no firewall nativo do Windows para ele funcionar. Ah, já disse que o consumo de memória do ICQ é bem mais elevado que do Live Messenger? Então toma essa: até o barulhinho do gato, que surge quando recebemos uma mensagem, foi alterado (agora tem équio!).
Não estou malhando o ICQ por preciosismo, ou para defender o Windows Live Messenger contra tudo e todos. Uso bastante o programa da Microsoft, e também, no mesmo nível ou até mais, o Google Talk embutido no Gmail. E se surgir algo melhor, que a maioria dos meus contatos e amigos usem, migrarei numa boa. O que me intriga é o porquê de escolherem justo o ICQ para se revoltar contra o Live Messenger, ou melhor, sua atualização obrigatória - que, em último caso, ironicamente é para o bem do próprio usuário. O programa da AOL é simplesmente horrível.
O ICQ teve seu período de glória, no final da década passada, e cumpriu seu papel muito bem - e olha que eu nunca dei muita bola pra ele; preferia o IRC. Mas o tempo passa, as coisas evoluem, em regra para melhor, o que não parece ser o caso do IM da AOL.
Se surgir um movimento #voltaIRC, me chame, por favor.
Quem escreveu?
Rodrigo P. Ghedin. Blogger, MVP Microsoft, acadêmico de Sistemas de Informação e bacharel em Direito.
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