Ontem a Microsoft roubou todas as atenções com a apresentação do Windows Phone 7 Series na abertura da MIX '10. Alguns detalhes importantíssimos que ficaram em aberto no Mobile World Congress, onde o novo sistema foi apresentado, foram mostrados em toda sua glória. Apps de terceiros, marketplace, Silverlight, várias possibilidades, tudo integrado e padronizado, em consonância com o sistema em si.
Passada a euforia, mais detalhes foram surgindo ao longo do dia. Abaixo, um resumo dos principais.
Padronização do hardware
Um problema crônico da maioria dos sistemas é rodar em múltiplos dispositivos. Num, com processador rápido, aceleração 3D e farta memória, a experiência tende a ser ótima, mas em outros, mais limitados tecnicamente, o resultado é frustrante. Pior: além de frustrar o usuário, pode acabar fazendo a má fama do sistema que, coitado, não tem nada a ver com a paçoca.
Esse tipo de problema o WP7S não terá.
A imagem acima, obtida por Long Zheng, traz os primeiros detalhes da padronização de hardware imposta aos fabricantes pela Microsoft. Em resumo, isso significa que qualquer fabricante que quiser ter o WP7S num smartphone, terá que necessariamente seguir essa "receita" para obter o aval da Microsoft. Até mesmo os botões frontais (três: Start, pesquisa e voltar) precisarão constar no projeto.
A configuração básica é nivelada por cima. Touchscreen capacitiva, vários sensores (A-GPS, acelerômetro, bússola, sensores de luz e proximidade), câmera de 5 mega pixels com flash, 256 MB de memória, 8 GB de espaço ou mais, GPU com aceleração DirectX 9, e CPU, no mínimo, ARMv7 Cortex/Scorpion. É bom ou quer mais?
A resolução da tela também é padronizada. Na realidade, as resoluções. São duas permitidas, WVGA (800x480) e HVGA (480x320).
Nesse mesmo post, Zheng publicou algumas imagens de um smartphone da Samsung que rodará o WP7S. Veja:
Por fim, uma revelação: os protótipos utilizados durante as apresentações do WP7S foram produzidos pela Asus.
Multitarefa?
Mary Jo Foley conseguiu uma entrevista com Charlie Kindel, um dos envolvidos no projeto do Windows Phone 7 Series. Dentre várias perguntas, duas chamam a atenção.
A primeira diz respeito à ausência de multitarefa no novo sistema. Até o Windows Mobile 6.5, esse era um dos principais recursos da plataforma, mas em prol de estabilidade e desempenho, foi eliminado no WP7S. Apenas alguns aplicativos do sistema, como o media player e o programa de e-mail, poderão funcionar em segundo plano.
Isso não significa, porém, que apps de terceiros ficarão restritas a quando estiverem abertas. Através do sistema de push notifications, qualquer app poderá avisar o usuário sobre atualizações. Ontem, na apresentação da MIX '10, vimos isso acontecer. Um app de futebol mostrava notificações sempre que um dos times marcava um gol; da própria notificação, o usuário consegue abrir o programa, sem complicações. Com isso, segundo Kindel, cria-se a "ilusão" da multitarefa.
Ainda vale citar os live tiles, os quadradinhos dinâmicos que ficam na tela inicial do WP7S. Todos eles buscarão atualizações em tempo real e constantemente na Internet, e como o grau de personalização ali é grande, pode ser uma boa saída para manter-se atualizado de várias formas e em vários apps, ao mesmo tempo.
No final da entrevista, Jo Foley questionou sobre o Dorado, codinome do Zune Software, programa para Windows que faz as vezes de player de áudio e vídeo, além da sincronia com Zune. Kindel resumiu a pergunta numa frase: "o único programa que você precisará", para sincronizar smartphone e PC. Ou seja, diga adeus ao Active Sync!
O Neowin filmou uma apresentação do WP7S conectado ao Zune Software. A mesma facilidade vista no Zune HD, inclusive com conexão/sincronia WiFi (uma das coisas mais legais do PMP da Microsoft):
Navegador: Internet Explorer 7
No Zune HD, que acabou revelando-se uma espécie de laboratório para o Windows Phone 7 Series, temos um navegador decente. Suporta gestos multitouch, renderiza páginas com velocidade e possui até bookmarks! Ele é relativamente limitado, especialmente se comparado a navegadores móveis mais parrudos, como Opera Mini, mas quebra o galho. Ah, detalhe: seu motor é baseado no do Internet Explorer 6.
Já no WP7S, uma boa nova: o motor será o do IE7. Longe do ideal, que, espera-se, será demonstrado hoje (IE9), mas já alguma coisa. Na realidade, o navegador trará elementos das versões 7 e 8, tornando-a uma espécie de "IE 7.5". O nome oficial ainda não foi dado (e não será IE7.5
), mas já dá para esperar coisa boa nessa área.
O Neowin consegui filmar a apresentação do navegador, de onde pode-se, inclusive, ver o user agent do navegador:
Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 7.0; Windows Phone OS 7.0; Trident/3.1; IEMobile/7.0). Microsoft's Zune HD device on the other hand runs on IE6: Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 6.0; Windows CE; IEMobile 6.12; Microsoft ZuneHD 4.3).
O vídeo:
Marketplace objetiva
Uma das grandes críticas ao modelo da App Store, da Apple, é a frequência com que a empresa da Maçã bane apps da lojinha pelos motivos mais descabidos e/ou subjetivos possíveis. A Microsoft, que a exemplo da concorrente, também fará uma triagem das aplicações submetidas antes de disponibilizá-las ao grande público, promete uma abordagem diferente, mais objetiva.
Isso significa que, se um app submetido bater com as guidelines para desenvolvedores que a empresa ainda liberará, ele será admitido, não importa se seja feio, esquisito ou tenha conteúdo estranho. Estando de acordo com os requisitos da empresa, está valendo.
Ainda na marketplace, até o meio do ano mudanças interessantes serão feitas, no sentido de possibilitar que aplicações beta sejam disponibilizadas, tudo controlado pelos próprios desenvolvedores. Isso é mais um grande recurso que soma-se à já comentada distribuição de versões demonstrativas (trial) dos programas vendidos lá.
O que mais?
Acredite, tem muito mais. Até o fim do ano, quando os aparelhos movidos por Windows Phone 7 Series darão as caras nas lojas, muita informação vai aparecer. Esperamos que elas continuem aumentando a expectativa e nos fazendo querer, cada vez mais, que dezembro chegue num piscar de olhos.
Quem escreveu?
Rodrigo P. Ghedin. Blogger, MVP Microsoft, acadêmico de Sistemas de Informação e bacharel em Direito.
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